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Crescer sem retroceder: desafios da Goiânia do futuro

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10.03.2015 - 14:34:24

Goiânia – Recentemente vi uma pesquisa que apresentou as perspectivas de crescimento populacional de Goiânia a ponto de se tornar uma “supercidade”, conforme dados demográficos projetados para o ano de 2020. Eis aqui um assunto que me aflige, não por achar que devemos deixar de crescer em termos populacionais e expandir economicamente o potencial desta cidade, mas pelo fato de temer que o planejamento urbano, em todas as suas vertentes, não acompanhe e reaja com a mesma magnitude o crescimento urbano que esta cidade vem passando, quem dirá em momento futuro!

É fato que a falha na implantação do planejamento urbano e o seu desrespeito não é a origem para todos os problemas crescentes da região metropolitana de Goiânia, mas sua contribuição é significativa para a queda da qualidade de vida. 

 
É comprovado que o desrespeito ao planejamento urbano colabora com uma série de males à população, como o aumento de doenças (depressão, estresse, vida sedentária, etc.), piora dos indicadores sociais (violência, desigualdade social, etc.), além dos danos ambientais (ilha de calor, enxurradas, deslizamentos de encostas, etc.). 
 
Um exemplo refere-se ao trânsito da grande Goiânia que não tem reagido na mesma proporção aos milhões gastos com intervenções viárias (novos viadutos, ajustes na malha viária, etc.), esquecendo-se que a cidade é dinâmica e não se comporta da melhor forma quando pensa-se nela de forma isolada e “apagando incêndios”.

Estamos atacando a consequência do problema e não a sua causa! Esquece-se, contundentemente, que a intensificação do trânsito se dá quando se permite que muitos veículos transitem pelo mesmo local em horários de pico, sob a justificativa que o adensamento urbano é a solução para evitar uma expansão urbana. Precisamos descentralizar e reestruturar o trânsito de forma inteligente sem haver necessidade de investir milhões em intervenções de infraestrutura, como se tem feito. Transporte de massa eficiente já! Nenhuma cidade no mundo foi projetada para crescimento tão acelerado de veículos de passeio.

 
A grande maioria das cidades da região metropolitana tem crescido e adensado conforme o interesse da exploração imobiliária e industrial, sendo grande parte dessas ações institucionalizadas e permissivas em leis, criadas sob influência explícita do poder econômico. Dois exemplos desse poder institucionalizado é a outorga onerosa e a transferência do direito de construir, cuja finalidade foi deturpada do Estatuto das Cidades e convertida para que a concretização de grandes empreendimentos seja amparada por leis, em desequilíbrio do público com o privado, e sem haver proporcionalidade na contrapartida de melhoria da gestão da infraestrutura urbana.
 
Mesmo diante de um cenário atual preocupante, temos condições de converter a maior parte dos desafios em oportunidade, pois a Grande Goiânia, embora pujante, é ainda jovem e possui capacidade de se readequar aos padrões de uma metrópole moderna, como uma criança com maus hábitos que ainda pode se tornar um adulto saudável com elevada expectativa de vida.

Temos ao nosso favor, ainda, espaço físico para expandir um crescimento sustentável da cidade, geografia que contribui para o transporte mais eficiente e humanizado, e uma população consciente de que não se deve cometer os mesmos erros do crescimento desordenado ocorrido em outras capitais no País.

*Sérgio Botassi é coordenador do MBA Gerenciamento de Obras, Tecnologia e Qualidade da Construção do IPOG.

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por Sérgio Botassi

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