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Logística reversa das cooperativas de reciclagem (Foto: divulgação/Cooprec)

Cooperativas promovem transformação social

Dia Internacional do Cooperativismo teve como foco a construção de um mundo pacífico, o que está diretamente relacionado à inclusão social e econômica das pessoas

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07.07.2026 - 12:23:52

A Redação 

Goiânia – As cooperativas têm a capacidade de transformar a vida de seus cooperados e, muitas vezes, representam a oportunidade para pessoas em situação de vulnerabilidade social reconstruírem suas trajetórias. As cooperativas de reciclagem, por exemplo, costumam ser um ponto de transformação e de inclusão econômica e social para chefes de família que mal conseguiam garantir o próprio sustento, principalmente mulheres.

Este é o caso de Isamara Ferreira da Costa, da Cooperativa de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis Dom Fernando (Cooprec). Há dois anos, Isamara não tinha renda nem emprego, pois havia se separado do marido e perdido seus documentos pessoais. Vivia de favor na casa de um conhecido com o filho de 7 anos.

Após se mudar para uma região próxima à Cooprec, no Jardim Conquista, região Leste de Goiânia, foi recebida de braços abertos na cooperativa. O trabalho como cooperada representou um recomeço em sua vida, afirma a coletora de recicláveis.

“Hoje posso pagar meu aluguel e ter uma casa decente para mim e para meu filho. Agora tenho mais oportunidades e já conquistei várias coisas que antes não tinha. Entendo que outras oportunidades surgirão graças a esse trabalho”, confia Isamara.

A catadora entende que, graças ao cooperativismo, está um passo à frente em sua vida, tanto na questão econômica quanto social. Isamara não teve contato com o modelo anteriormente e, hoje, se considera uma defensora do cooperativismo. Além do conhecimento adquirido sobre o funcionamento do negócio cooperativo, ela afirma que a Cooprec é um lugar de solidariedade.

“A cooperativa é muito solidária, praticamente uma família. Somos unidos. Já vi muitas amigas serem ajudadas. Quando alguém precisa, nós nos juntamos e ajudamos. A cooperativa é ótima para prestar esse apoio.”

Coops Day
Neste ano, o tradicional Dia Internacional do Cooperativismo (Coops Day), celebrado no primeiro sábado de julho desde 1923 e reconhecido pela Organização das Nações Unidas, teve como tema “Cooperativas por um mundo pacífico”. O objetivo é reforçar o papel do modelo como agente de conexão social, desenvolvimento e construção de sociedades mais equilibradas.

Segundo a Aliança Cooperativa Internacional, o conceito de mundo pacífico está associado à promoção da justiça social, da inclusão econômica e do fortalecimento das instituições. Nesse contexto, segundo Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO, as cooperativas são construtoras de pontes capazes de aproximar comunidades, estimular o diálogo e gerar oportunidades de participação.

É possível perceber a promoção dessas oportunidades de participação na própria Cooprec. Na cooperativa, 19 dos 30 cooperados são mulheres, sendo que três delas atuam na direção. Nair Rodrigues é a presidente da cooperativa e atua na área da reciclagem há 28 anos, com o objetivo de defender os interesses das mulheres nesse meio.

“Hoje, meu desejo é empoderar as mulheres e mostrar que elas podem trabalhar onde quiserem. Elas podem se desenvolver e criar os próprios filhos”, conta Nair. Para a presidente, sua própria jornada foi especialmente gratificante, apesar de cercada por desafios. Um dos principais foi convencer os homens de que as mulheres podem ganhar o mesmo que eles, caso realizem o mesmo trabalho. “Ser respeitada pelos homens era difícil no início, mas consegui. Essa parte foi muito boa para meu desenvolvimento pessoal.”

Nair Ribeiro, presidente da Cooprec | Foto: Reprodução

Nair comenta que 80% das cooperadas da Cooprec sustentam o próprio lar, seja por não terem marido ou por conviverem com um parceiro que não contribui. Ao testemunhar de perto tantas histórias semelhantes, a presidente da Cooprec percebeu que a sociedade brasileira costuma subestimar a independência feminina. “A ideia de que o chefe de família precisa ser um homem não condiz com a realidade. No Brasil, as mulheres são as chefes de família”, afirma.

Comunidade
As cooperativas de reciclagem também contribuem para uma melhor qualidade de vida, seja no aspecto da sustentabilidade ambiental, seja no das relações sociais. Luciene Costa Leite, presidente da Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis de Santo Antônio de Goiás (Cooper Sag), afirma que um dos principais ideais de sua cooperativa é contribuir para melhorar a vida das pessoas e da comunidade.

“A partir do momento em que vamos fazer a coleta, temos que tratar bem a população, trazer o máximo de material reciclável e educar a comunidade. Não adianta ir para a rua para cuidar do meio ambiente e tratar a comunidade mal”, afirma a dirigente.

Luciene está há oito anos na cooperativa, que conta com 10 cooperados, sendo sete mulheres e três homens. A presidente conta que a maioria delas precisa desse trabalho para se sustentar e criar os filhos.

Luciene transformou a cooperativa após assumir a presidência, em 2017, liderando a regularização, a busca por parcerias e a reestruturação dos processos de coleta seletiva no município de Santo Antônio. Sob sua liderança, a cooperativa passou a processar cerca de 14 toneladas de recicláveis por mês e obteve suporte para a aquisição de novos equipamentos.

Luciene tem participado ativamente de programas de capacitação e liderança do Sistema OCB/GO, o que tem proporcionado avanços importantes para a Cooper Sag. A cooperativa conseguiu crédito com o Sicoob Engecred, ganhou uma cozinha equipada e um banheiro em sua sede, algo fundamental para que os cooperados tivessem um local para comer, descansar e se higienizar.

“A cozinha mudou nossa qualidade de vida. As meninas iam buscar os filhos sujas, pois não tinham onde tomar banho. Agora temos esse banheiro junto à cozinha. Conseguimos um caminhão novo e um guincho de elevação do governo de Goiás, por meio de uma licitação. Agora sabemos que existem editais, pois a OCB/GO nos ensinou.”

Apesar das melhorias, Luciene acredita que ainda há muito a conquistar, principalmente na questão salarial. A dirigente também entende que parte da sociedade ainda discrimina os catadores. “Infelizmente, nosso trabalho não é valorizado como deveria. A sociedade tem que prestar mais atenção na gente”, ensina.

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por Ludymila Siqueira

*Repórter

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