Jales Naves
Especial para AR
Goiânia – O episódio do Duro, conflito político ocorrido entre o fim de 1918 e janeiro de 1919 na antiga Vila de São José do Duro, então Norte de Goiás e atual cidade de Dianópolis, no estado do Tocantins, foi explicado, na manhã desta sexta-feira (19/6), pelo juiz e escritor Abílio Wolney Aires Neto, no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG).
Neto do principal personagem e autor de cinco obras sobre o assunto, o magistrado esclareceu como tudo ocorreu e os detalhes do conflito, que resultou na violenta disputa de poder entre o clã dos Wolney e a polícia do Estado.
A tensão aumentou quando o Governo do Estado de Goiás aprovou lei que anulava títulos de terras dominados pela família Wolney e seus aliados, gerando forte resistência na região do Duro. Em represália à oposição local, o Governo goiano enviou tropa policial fortemente armada, sob o comando de um juiz de direito. A força pública agiu com extrema violência, resultando na prisão arbitrária e no fuzilamento a sangue frio de nove cidadãos ligados à família Wolney. Os assassinatos ficaram conhecidos como a “Chacina dos Nove”, e os corpos das vítimas foram enterrados em praça pública.
A tragédia ganhou repercussão nacional anos depois ao servir de inspiração para o clássico romance “O Tronco”, do escritor goiano Bernardo Élis. Em sua obra, o imortal goiano preferiu romancear as informações daquele período.
No relato, a trajetória de Abílio Wolney na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, onde chegou “cheio de projetos, idealizações e arroubo juvenil”, entregando-se, por 19 anos, aos intricados meandros da política, período em que exerceu diversos cargos: eleito Deputado Estadual (1895-1897); Deputado Federal em 1900, mas depurado; Deputado Estadual como suplente, pleito de 1905 a 1908, só exercendo os dois últimos anos; Deputado Estadual (1909-1912) e Deputado Estadual em 1913, quando foi novamente depurado. Conquistou grande influência e popularidade em Goiás. No seu último mandato exerceu os cargos de Líder do Governo e de Presidente da Câmara Legislativa.
