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Como você escolhe a música para trabalhar?

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12.04.2012 - 19:13:33


Para mim, não existe a menor chance de trabalhar sem um som de fundo. Não gosto de ambientes sem música. Eles me entristecem. Tédio total. Imagino que a morte deve ser assim. Prefiro a música ruim ao nada. Quando são os barulhos da natureza, tipo cachoeira (ops, cachoeira em Goiás anda complicado… Melhor queda d’água!), passarinho cantando, vento soprando, ainda vai. Agora, no escritório, onde o som de fundo é gente digitando em teclado vagabundo, telefone tocando e conversinha alheia, a coisa fica complicada. O som se faz muito necessário.

Confesso que sou meio impositor. Se estou trabalhando com alguém na sala, pergunto se ela se incomoda com um sonzinho rolando. Nunca obtive resposta negativa até hoje. E vou colocando as músicas conforme meu timbre do dia, seguindo meu gosto. Algumas vezes, as pessoas, sacando a onda do que estou ouvindo, pedem para rolar algo ou perguntam se eu tenho determinado artista. Se eu tiver, coloco para tocar na hora. Agradar os colegas de trabalho é o primeiro passo para deixar o ambiente com um astral mais massa.

Normalmente, gosto de ouvir discos fechados. Se o tempo permitir, vou da primeira à última faixa do álbum. Não sou da geração da fragmentação que começou a ouvir som já com a internet. Sou do tempo do vinil, onde até a ordem das faixas tinha algum significado. Por isso, gosto de respeitar essa sequência. A geração shuffle que me perdoe, mas ouvir um disco inteiro é fundamental para entender um artista ou uma obra. Mas, nesse ponto, mais uma vez mostro minha discrepância geracional: quem ainda se importa em entender um artista ou obra? Sou muito ancião mesmo…

Quando chego no trabalho, gosto de começar com algo mais suave. Bossa nova, jazz, funk setenta mais viajante, blues das antigas… Para ler os jornais do dia e entender o que está rolando no mundo, essa trilha costuma compor bem o ambiente. Finalizada a leitura, dá para aumentar o ritmo. Na hora de se atualizar do mundo virtual, naquela geralzona de sites/blogs/redes sociais/e-mails que todo mundo faz, já dou uma pisada no acelerador. Aí, um classic rock, samba partido alto, funk mais grooveado, MPB com pegada rock caem como uma luva. Aí é chegada a hora da treta real no trabalho, pois as demandas começam a vir de todos os lados, telefone toca sem parar, obrigações mil parecem brotar do chão. Nesse momento, o som tem que ser condizente com o estresse que chega com gosto. Aí é hard rock, metal, rap, funk nervoso, punk rock… Enfim, algo que dê a correspondência de adrenalina que o ambiente está pedindo.

Na hora de ir embora, o momento mais alegre do dia, tem que ser algo que jogue o clima para cima. Quanto mais alto, melhor. Bom humor no talo para chegar em casa no astral total. Aí, meu amigo, vale tudo. Afinal, levar tensão do trabalho para casa é o primeiro passo para sepultar seu casamento.

E você, nobre leitor? Quais são suas dicas de som para trabalhar?

 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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