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Comemorar vaga no Vaca Brava dá depressão

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19.03.2013 - 16:10:21

Goiânia – Postei um comentário despretensioso em minhas redes sociais sobre aquela que considero a maior idiotia do mundo: comemorar aprovação no vestibular com esbórnia no Vaca Brava. Como a repercussão foi violenta, acredito que é necessário aprofundar o assunto aqui no A Redação, com mais espaço para a argumentação. Reitero o que lá disse: para quem sempre estudou em escolar particular com papai pagando tudo, não é mais que obrigação ser aprovado em uma boa universidade.

Sou de uma família classe média baixa, daquelas que demoraram anos para ter Multicanal. Estudei o primeiro grau em escola particular, Colégio Agostiniano Nossa Senhora de Fátima, e o segundo em instituição pública, Escola Técnica Federal de Goiás. Depois que me formei em Saneamento no ensino médio profissionalizante, peguei seis meses de cursinho no Visão. Ou seja, sou um fruto híbrido entre ensino privado e público. Prestei quatro vestibulares em minha vida, todos para universidades públicas. Com a grana que meus pais gastaram em minha formação, sabia que era dever não dar despesas de mensalidade no meu ensino superior.

Nos três que passei (Jornalismo e Direito na UFG e Processamento de Dados na antiga Uniana, um dos embriões da UEG), nunca fui para a rua fazer bagunça. Comemorei sim. Mas de forma íntima e privada. Só familiares e amigos estavam ali. Foi tão privado que terminei uma das festas na igreja de todos os bêbados, tal qual dizia Cazuza. Mas vou poupá-lo, caro leitor, de detalhes escatológicos. Não fiquei enchendo a cara na rua, não emporcalhei parque algum, não travei o trânsito de ninguém. Simples questão de bom senso. Nunca deixei rasparem minha cabeça. Também nunca cortei cabelo de ninguém. Sempre achei o trote aos calouros algo indefensável e uma brincadeira sem graça, de fundo Joselito.

Na verdade, o que ocorre de fato é uma concepção distorcida da esmagadora maioria das escolas particulares que enxergam o vestibular como um fim e não como meio. Toda mídia dos caras é direcionada ao número de aprovados. Isso se choca frontalmente com minha noção de educação. Uma escola deve formar cidadãos responsáveis, não números superlativos de aprovados. O aluno deve passar no exame que quiser como consequência de sua sólida formação, não porque foi adestrado para aquilo.

O Vaca Brava após a divulgação dos resultados é a comemoração irresponsável de gente que acredita que atingiu seu grande objetivo de vida ao passar no vestibular. Não enxergam que esse é só o início de uma trajetória e não a linha de chegada. Essa máquina de moer adolescentes está toda errada. Estamos formando uma geração de reprimidos na fase mais legal da vida que é a adolescência. Obviamente vão extravasar tudo na universidade. Viverão uma fase da vida de forma retardada. As notícias das festas universitárias me deixam confortável para afirmar isso.

A comemoração do Vaca Brava é só um simulacro grosseiro de uma lógica muito mais perversa: o direcionamento excessivo de nossa educação para o vestibular. Uma festa acéfala. Comemoram exatamente como foram adestrados em seu ensino médio: desrespeitando o espaço público, se achando o máximo porque fizeram o dever de casa, fazendo marchas contra as cotas. Triste pensar que essa é a elite que irá nos governar dentro de alguns anos.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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