Jales Naves
Especial para AR
Goiânia – Uma das mais tradicionais cidades goianas, que surgiu há quase 300 anos, Pirenópolis quer se tornar Patrimônio da Humanidade. Em visita ao Instituto Histórico e Geográfico de Goiás na manhã desta quarta-feira (24/6), o prefeito Nivaldo Melo acatou a sugestão nesse sentido do presidente do Instituto, historiador Jales Guedes Coelho Mendonça, e vai constituir um grupo de estudos para elaborar pedido a ser encaminhado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), agência especializada da ONU.
A cidade, um dos maiores polos turísticos do Brasil, é Patrimônio Histórico, tombado nacionalmente, e mantém uma das mais tradicionais festas folclóricas de Goiás, as Cavalhadas.
Pirenópolis é considerada um verdadeiro museu a céu aberto, com suas ruas de pedra e casarões coloniais do século XVIII refletindo a época áurea do ciclo do ouro; foi eleita uma das cidades mais acolhedoras do mundo em avaliações de plataformas de viagens, sendo a única representante brasileira no ranking; e a região conta com mais de 80 cachoeiras mapeadas, trilhas no cerrado e formações como o Pico dos Pireneus.
O prefeito esteve no IHGG para conhecer a exposição anual do Instituto, intitulada “Brasília – O alicerce goiano de um sonho brasileiro”, mostrando a luta pela transferência da Capital Federal, que sempre fora no litoral, para o interior, e a participação de goianos nesse processo, e aplaudiu o trabalho. “Goiás precisava dessa iniciativa, mostrar quem somos e o que fizemos e estamos fazendo”, afirmou, ao cumprimentar o Instituto pelas ideias e pelo protagonismo na área cultural.
História
A cidade foi fundada como um pequeno arraial em 1727, quando Manoel Rodrigues Tomás, chefe de um grupo de garimpeiros submetidos ao bandeirante Anhanguera e guiado por Urbano do Couto Menezes, chegou à região com a missão de descobrir novas jazidas de ouro. A antiga Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte tornou-se um acampamento de garimpeiros e teve seu crescimento ligado a essa atividade. A mão de obra principal era formada de escravos negros e índios que ainda habitavam a região.
A primeira rua da cidade era uma ligação entre uma pousada (na saída para Vila Boa, hoje Goiás) e o garimpo de ouro. O centro urbano desenvolveu-se em torno da Igreja Matriz até a construção das Igrejas do Bonfim e do Carmo, que atraíram casas para seus arredores.
Na segunda metade do século XVIII, o crescimento de Pirenópolis ficou paralisado devido à crise da exploração do ouro. Em 1800 acontece uma retomada da economia, alavancada pela agricultura (principalmente algodão), pecuária e comércio. Apesar das mudanças das rotas comerciais da região a partir de 1850, o crescimento do centro urbano vai até o fim do século XIX, quando a cidade passou por um período de estabilidade econômica e cultural.
Entre 1830 e 1834, a cidade sediou o primeiro jornal do Centro Oeste brasileiro, o “Matutina Meyapontense”, de 1830, e o primeiro periódico do Brasil editado fora de uma capital, sendo a cidade considerada o berço da imprensa goiana.
Em 1890, seu nome oficial passou a ser Pirenópolis, uma homenagem à Serra dos Pireneus, que cerca toda a cidade. A serra, por sua vez, teve seu nome tirado da cadeia de montanhas que separa a França da Espanha.
Distrito criado com a denominação de Meia Ponte, pela Carta Régia de 10.08.1754, foi elevado à categoria de vila com a denominação de Meia Ponte, pelo Decreto de 10.07.1882 e instalado em 14.04.1833. Elevado à condição de cidade com a denominação de Meia Ponte, pela Lei Provincial n.º 3, de 02.08.1853. Pelo Decreto Estadual n.º 18, de 27.02.1890, o município de Meia Ponte passou a denominar-se Pirenópolis. Em divisão administrativa referente a 1911, o município era constituído do distrito sede. Pelo Decreto Municipal n.º 93, de 23.06.1933, foi criado o distrito de Nossa Senhora da Conceição e anexado ao município de Pirenópolis.
Em divisão administrativa referente a 1933, o município era constituído de dois distritos: Pirenópolis e Nossa Senhora da Conceição, assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31.12.1936 e 31.12.1937. Pelo Decreto-Lei Municipal n.º 1.233, de 31.10.1938, o distrito de Nossa Senhora da Conceição passou a denominar-se Lagolândia. Pela Lei Municipal n.º 145, de 22.10.1958, foi criado o distrito de Barra Alto e anexado ao município de Pirenópolis. Pela Lei Municipal n.º 2.139, de 14.11.1958, foi desmembrado do município de Pirenópolis o distrito de Barro Alto e elevado à categoria de município. Em divisão territorial datada de 1.07.1960, o município era constituído de dois distritos: Pirenópolis e Lagolândia. Assim permaneceu em divisão territorial datada de 2017.
