Logo

Chorão fará falta no cenário musical bunda brasileiro

WhatsAppFacebookLinkedInX
06.03.2013 - 15:48:05

Goiânia – Chorão morreu nessa madrugada. O líder do Charlie Brown Jr. foi o mais próximo que tivemos de um Axl Rose, de um Liam Gallagher. Não tinha pudor de falar o que pensa, mesmo que depois voltasse atrás. Fazia o que dava na telha, mesmo que depois se arrependesse. Tretava com quem achava que tinha que tretar, mesmo que depois fizesse as pazes. Assinava todas as burradas que fazia e pagava o ônus das mesmas. Chorão fará falta para dar essa apimentada na cena musical brasileira.

Tive contato com a banda logo no primeiro disco, no primeiro single, o que avisava que “os caras do Charlie Brown invadiram a cidade”. Causou estranhamento ao meu ouvido. Parecia rock, mas tinha uma pegada pop. Era bem tocado, mas não descia redondo. Parecia Sublime ou Red Hot Chili Peppers, mas não era tão legal. Na época, pegava os CDs dos amigos e, se gostasse, gravava em fitinha cassete. Um bróder do meu prédio tinha o primeiro álbum dos caras. Peguei emprestado, mas não gravei. Não bateu.

Meses depois, teve o primeiro show do CBJR em Goiânia. Era 1997, eu ainda era menor. Namorava uma menina um pouco mais velha que já tinha carteira de motorista. Ela me pegou em casa e fomos ao show. Era no Justino Kart Indoor, que se localizava no Jardim Goiás. Ficamos no gargarejo (éramos tão jovens…). O show foi uma pressão sensacional. Tudo emendado, sonzeira. Fizeram um cover do Rage Against the Machine. Deu uma confusão na plateia e os seguranças começaram a distribuir “gracejos” para todos os lados. Chorão parou o show, enquadrou os seguranças, pagou um sapo para o público e a apresentação terminou tranquila. Não gostei do CD, mas o show foi responsa.

O segundo disco já me impressionou mais. Peguei de um amigo da faculdade e esse já foi para uma fitinha. Gostei de Zóio de lula e Não deixe o mar te engolir. Ouvi com alguma frequência, tirei algumas no violão e ficou por aí. Não fui adiante na relação fã-artista. Depois, vi mais alguns shows da banda, por razões pessoais ou profissionais. Em certa ocasião, iria entrevistá-lo no camarim de um show, antes da banda subir ao palco. Não rolou. Ele não quis nos atender e deu o bolo. Normal. Só mais uma para seu currículo.

Nos últimos tempos, não aguentava mais ouvir CBJR. A banda se repetiu e cansou meu ouvido. Quando tocava no rádio, eu mudava de estação. As músicas mais velhas ainda dão aquele sentimento nostálgico, de rememorar certo período da vida. As mais novas não desciam. Acho que eles eram especialistas em som para o início da adolescência, para quem está adentrando no universo do rock. O que definitivamente está longe de minha realidade. Como todos, a morte de Chorão me pegou de surpresa. Perdemos um artista que tinha assinatura. Pode parecer pouco, mas no mundo insosso de hoje, é muito.

Chorão, descanse em paz!

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Noite e Dia
30.09.2026
Basileu França abre exposição e apresenta espetáculo musical em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Escola do Futuro de Goiás (EFG) em Artes Basileu França abriu, na última segunda-feira (28/9), a exposição “Cidades: Entre Memórias, Sonhos e Futuro”, na Galeria de Arte da instituição, em Goiânia. No mesmo dia, o Teatro Escola recebeu o espetáculo “A Noite do Rei”. A programação reúne trabalhos de estudantes de […]

Meia Palavra
30.09.2026
‘Unabomber’ não fica à altura de um dos crimes reais mais curiosos dos EUA

Estreou na Netflix Unabomber, um novo filme que tenta recontar a história fascinante do assassino e terrorista doméstico Ted Kaczynski, o titular Unabomber, que apavorou os Estados Unidos com atentados a bomba por várias décadas antes de finalmente ser capturado em meados dos anos 1990. Infelizmente, apesar de seus méritos, o filme não consegue ficar […]

lABORATÓRIO pÚBLICO - cIÊNCIA, pOLÍTICA E MEIO AMBIENTE
29.09.2026
Sem apocalipse ou redenção II

No último artigo por aqui, comentei das visões diametralmente opostas a respeito da inteligência artificial. De um lado, os otimistas tecnológicos acreditam que ela resolverá todos os nossos problemas; de outro, os tecnofóbicos já decretam para breve o fim da humanidade à medida que a IA rapidamente evoluir e sair de nosso controle. Argumentei que […]

Noite e Dia
28.09.2026
Armazém AZ apresenta mostra sobre Maria Abadia Haich em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Armazem AZ apresentou no último sábado (26/9), em Goiânia, a exposição Tessituras: Histórias de Bá, dedicada à trajetória de Maria Abadia Haich, co-fundadora da loja e personagem ligada à formação e à difusão do design brasileiro na cidade. Construída a partir do olhar de seus seis netos, com coordenação de […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

Joias do Centro
25.09.2026
Avenida Goiás: a linha que desenhou o coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há avenidas que levam a algum lugar. E há aquelas que, antes mesmo de serem abertas, já foram concebidas para dizer alguma coisa sobre a cidade. Em Goiânia, a Avenida Goiás pertence à segunda categoria. Desenhada no plano original da capital pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, ela nasceu como […]

Noite e Dia
25.09.2026
Evento apresenta primeira mostra de Di Cavalcanti para convidados em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Cerrado Galeria realizou nesta quinta-feira (24/9) a abertura exclusiva para convidados da apresentação do novo ciclo expositivo da galeria, que traz pela primeira vez à Goiânia obras do renomado artista Di Cavalcanti, além da primeira individual do goianiense Walter Pimentel. As mostras Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, e Anímica e […]

Noite e Dia
21.09.2026
Jardim Potrich une Yoga, cerâmica e arte em programação especial; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Jardim Potrich abriu suas portas para uma programação que aproxima duas práticas aparentemente distintas — Yoga e cerâmica — a partir de um território comum: a presença. No dia 12 de setembro, o jardim recebeu “Beta & Bia no Jardim”, uma manhã dedicada ao movimento, à respiração e à consciência […]