Adriana Marinelli
Goiânia – Referência no acolhimento de mulheres vítimas de violência em Goiás, o Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser (Cevam) conseguiu reduzir em quase 58% uma dívida acumulada ao longo dos últimos anos, mas ainda enfrenta dificuldades financeiras para manter suas atividades. A instituição, que acolhe mulheres em situação de violência, além de seus filhos, depende de doações da sociedade para custear despesas, manter os atendimentos e garantir a continuidade dos serviços prestados. Atualmente, o Cevam conta com seis funcionários, incluindo recepcionista e zelador, além de cinco voluntários.
Segundo a presidente do Cevam, a jornalista e escritora Carla Monteiro, quando a atual diretoria assumiu a gestão encontrou um passivo de quase R$ 1,3 milhão. Desde então, a entidade conseguiu regularizar certidões e reduzir significativamente os débitos, mas a situação ainda exige atenção.
“Nosso passivo financeiro ainda é considerável. Temos buscado reduzir essa dívida por meio de parcerias, pedidos de doações e rifas. Atualmente, temos as certidões em ordem e conseguimos reduzir os débitos em quase 58%. Continuamos trabalhando para conseguir colocar em dia os salários e viabilizar recursos para investimentos”, afirma Carla ao destacar que as doações financeiras recebidas atualmente não são suficientes para cobrir todas as despesas da instituição. De acordo com a presidente, esses recursos ajudam principalmente no pagamento das contas de telefonia, enquanto os custos administrativos continuam gerando passivos.
Para custear água, energia elétrica e alimentação, o Cevam mantém um convênio com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds Goiás). Em 2023, a entidade foi contemplada em uma licitação estadual e, recentemente, teve a parceria renovada por mais 30 meses. Já boa parte da alimentação servida diariamente às mulheres acolhidas depende de doações. “Temos conseguido sobreviver”, acrescenta.
Como ajudar
Embora o Centro tenha conseguido reduzir significativamente sua dívida, Carla Monteiro reforça que a instituição ainda precisa de recursos para quitar obrigações trabalhistas em atraso, encerrar três ações judiciais herdadas de gestões anteriores e investir em melhorias estruturais e em projetos educativos voltados ao combate à violência e à promoção da igualdade de gênero.
Entre as necessidades mais urgentes estão doações de ovos, óleo, verduras e alimentos não perecíveis, como arroz, feijão, açúcar, sal, café, leite, macarrão, farinha, biscoitos, molho de tomate, milho, ervilha, palmito, azeitona, sucos, achocolatado, temperos, gelatina e misturas para bolo.
Também são aceitos produtos de higiene pessoal, materiais de limpeza, roupas, calçados e acessórios em bom estado, destinados ao bazar da instituição, cuja renda ajuda a custear despesas diárias, como gás e insumos para a horta.
A entidade busca ainda doadores financeiros que possam contribuir regularmente. As doações podem ser entregues diretamente na sede do Cevam ou realizadas via Pix, pela chave [email protected]. Informações podem ser obtidas pelo telefone (62) 3847-4972.
O Centro
Fundado em 20 de abril de 1981, o Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser surgiu inicialmente como um espaço de mobilização contra a violência, a discriminação e o preconceito sofridos pelas mulheres. A entidade nasceu 21 dias após o assassinato da cantora Eliane de Grammont pelo ex-marido, o cantor Lindomar Castilho, episódio que marcou o debate nacional sobre a violência contra a mulher.
Até 1997, o Cevam concentrou sua atuação na defesa dos direitos das mulheres e participou de importantes conquistas em Goiás, como a implantação da segunda Delegacia da Mulher do Brasil, programas voltados à saúde feminina, a criação da primeira Secretaria da Mulher da América Latina durante o governo Henrique Santillo e a ampliação da participação feminina em cargos públicos.
A partir daquele ano, a instituição passou também a oferecer acolhimento para mulheres, adolescentes e crianças em situação de violência. Desde 2020, o trabalho foi ampliado, passando a incluir, além do abrigamento, serviços socioassistenciais, apoio psicossocial, orientação jurídica, oficinas de autonomia econômica e atividades culturais.
Hoje, o Cevam dispõe de 30 vagas para abrigamento e capacidade para atender até 177 pessoas em assistência. Atualmente, estão acolhidas 19 mulheres e sete filhos, além de 52 mulheres assistidas.
As mulheres abrigadas permanecem integralmente na instituição durante o período de acolhimento. Por questões de segurança, não têm acesso a telefone, internet ou saídas externas, já que muitas são vítimas de graves ameaças, risco de morte ou tráfico de pessoas.
Desde 1998 até outubro do ano passado, o Cevam contabilizava 37.128 acolhimentos entre mulheres, adolescentes e crianças. Apenas entre 2020 e junho de 2026, foram atendidas 9.024 mulheres e 504 crianças, entre acolhidas e assistidas.
Além do abrigo, a instituição oferece atendimento com assistente social, psicólogo, psicoterapeuta, médico generalista e orientação jurídica, além de cursos profissionalizantes realizados em parceria com o Senai, voltados à geração de renda das mulheres atendidas.
