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Caos em Goiânia

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11.04.2012 - 17:42:56


Duas horas e meia dentro de um carro para percorrer um trajeto usual de 25 minutos no momento do rush. Uma hora e vinte para um percurso de 15 minutos. Uma hora e meia para um caminho de 20 minutos. Todo mundo que precisou de locomoção entre as quatro da tarde e oito da noite de ontem (11/4) tem seu próprio drama. As histórias são muitas sobre o caos que se instalou no final do expediente em Goiânia na última terça-feira. Nosso trânsito, que já é deplorável em dias sem nenhuma anormalidade, ficou simplesmente impossível. Goiânia is burning. Ops, aqui não cabe o Clash pois o dilúvio é que estava nervoso. O U2 é melhor: Goiânia, you’ve got stuck in a moment and now you can’t get out of it.

Eu trabalho na parte mais central de Goiânia, na Praça Cívica. Venho de carro todos os dias (erro 1 – andar de carro para vir ao trabalho). Estacionei ao lado do Bosque dos Buritis, dois quarteirões de distância do trampo (erro 2 – é claro que eu molharia para voltar ao carro, pois está chovendo todos os dias). Saí do trabalho debaixo de uma chuva fraca, mas incômoda, 18h10 (erro 3 – fechar o expediente no pior horário possível para circular). Eu tinha três compromissos, sendo o primeiro às 18h30 no Setor Sul, próximo ao Cepal. O segundo, 19h30 no Setor Bueno. O terceiro com mais folga, às 21h30 no Parque das Laranjeiras. (erro 4 – ser ingênuo o bastante de achar que Goiânia me permitiria cumprir essa agenda). Para dar a volta na Alameda dos Buritis, pegar a Rua 3, subir a Tocantins, circular a Praça Cívica, começar a subir a 85 e desistir de tudo, gastei duas horas e meia. Acabou. A Goiânia que gostamos atualmente existe só na nossa memória.

Goiânia é uma cidade que não encarou de verdade seu problema de mobilidade. Não tem plano algum para quem não tem carro, é muito tímida nas propostas que possam dar alternativas para classe média deixar seu veículo na garagem e trata os usuários do transporte coletivo que nem lixo. Na verdade, pior que lixo. Pois os resíduos ainda são encaminhados para reciclagem. Os usuários do transporte coletivo, para a insanidade. Não temos nem a esperteza de copiar os modelos positivos que surgem no mundo para tentar melhorar nossa qualidade de vida. A expertise está ali, basta adaptar a nossa realidade. Não fazemos nem isso. Deixamos nossa cidade ser desconstruída, jogam nossas virtudes no lixo e ficamos assistindo tudo como mansos cordeiros.

Goiânia travou. Atingimos nosso limite e não estamos cobrando as providências. E, quando vejo o tanto de promoção de carro zero, sei que a situação vai piorar. Quando o limite romper, todos teremos nossos carros nas garagens e sem condições de chegar até a esquina. Depois, não digam que não avisei.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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