Carolina Pessoni
Goiânia – Quem passa pela confluência das avenidas Goiás e Independência com a Rua 74 talvez não imagine que, onde hoje está a sede do Legislativo goianiense, funcionou um quartel do Exército Brasileiro. Foi exatamente esse ponto, ao lado da Praça do Trabalhador, que abrigou a construção da nova Câmara Municipal de Goiânia, inaugurada no fim dos anos 1990 e que, desde então, se tornou parte indissociável da paisagem e da vida institucional do Centro.
O projeto arquitetônico vencedor contrariou a ideia inicial de um edifício vertical. Optou-se pela horizontalidade e por conceitos funcionalistas, com o prédio dividido em blocos bem definidos: gabinetes dos vereadores, setor administrativo, plenário, auditórios e garagem coberta. Cortinas termoacústicas e soluções pensadas para o uso cotidiano completavam o conjunto, que nasceu com cerca de 8 mil metros quadrados de área construída.

Projeto arquitetõnico da Câmara de Goiânia inicialmente previa um edifício vertical, mas optou-se pela horizontalidade e conceitos funcionais (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
As obras foram concluídas em novembro de 1997, mas a instalação oficial da nova sede ocorreu em 17 de fevereiro de 1998, já sob a denominação de Palácio Getulino Artiaga Lima. Uma construção relativamente recente, se comparada a outros símbolos históricos da cidade, mas que carrega, em sua origem e permanência, uma relação direta com o Centro e com a própria história política de Goiânia.
O projeto arquitetônico da Câmara Municipal de Goiânia foi elaborado e executado por Armando Antunes Scartezini. Nascido em Araras (SP), ele chegou a Goiânia ainda criança e aprendeu a desenhar por curso de correspondência. Integrou equipes responsáveis por obras emblemáticas da capital, como o Autódromo Internacional Ayrton Senna, o Estádio Serra Dourada, o Ginásio Rio Vermelho e o Centro de Cultura e Convenções.

Projeto arquitetônico foi e executado por Armando Antunes Scartezini (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
A equipe contou também com a participação dos arquitetos Adriano Ávila Scartezini, filho de Armando, e da Patrícia Dialucci, que participou do acompanhamento das mudanças e adaptações do projeto ao longo da obra, ajustando a proposta original às novas demandas que surgiam durante a execução. Na Câmara Municipal de Goiânia, Armando Scartezini deixou mais do que um projeto: deixou uma síntese de sua formação e de sua relação com a cidade.
Crescimento e ampliação
Com o crescimento da população de Goiânia e a necessidade de adequação à Constituição, novas vagas de vereadores foram criadas. Em 2008, a Câmara ganhou o anexo Maria Sebastiana da Silva, conhecida como Dona Guri, no terceiro andar do prédio, ampliando a área construída para aproximadamente 9,3 mil metros quadrados.
Essa lógica de crescimento contínuo se manteve nos últimos anos. A ampliação mais recente ocorreu no chamado Setor 1, onde ficam os gabinetes dos vereadores. Coordenador do Departamento de Engenharia da Câmara, Diego Marçal explica que foi erguido um novo pavimento superior, com cerca de 1.500 metros quadrados.
Documentário traz breve história da Câmara e da ampliação de sua sede (Fonte: YouTube/TV Câmara Goiânia)
Segundo ele, o espaço foi pensado para atender demandas atuais e futuras. Ao todo, são 46 salas de uso diverso, que abrigam nove novos gabinetes, sendo seis gabinetes de uso comum e três totalmente adaptados para pessoas com deficiência, mais amplos e acessíveis. O local também passou a concentrar salas utilizadas por comissões, diretorias, uma nova copa, o DML, sala técnica e duas salas de reunião amplas, integradas por uma passarela, capazes de funcionar simultaneamente.
A obra teve início em junho de 2024 e foi inaugurada entre o fim de outubro e o início de novembro de 2025. O principal desafio, segundo Diego Marçal, foi realizar toda a intervenção sem interromper o funcionamento da Câmara. “As atividades legislativas não foram paralisadas em nenhum momento, o que exigiu paciência de servidores e cidadãos, além da reorganização de áreas comuns e de estacionamento para a instalação do canteiro de obras”, ressalta.
Outro obstáculo foi lidar com a escassez de projetos técnicos originais. Apesar de já existir uma previsão antiga para a construção de um novo pavimento, muitas informações sobre as redes elétrica, hidráulica e estrutural haviam se perdido ao longo do tempo. “O trabalho precisou ser feito com o carro em movimento, ajustando soluções à medida que a obra avançava”, explica o coordenador.

Apesar de ser um edifício de apenas 27 anos, prédio carrega importância histórica para a cidade (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
O resultado, no entanto, é motivo de orgulho para a equipe. Diego Marçal destaca a qualidade do espaço entregue e o impacto positivo para servidores, vereadores e cidadãos que frequentam a Câmara. Para ele, a permanência do Legislativo no Centro é estratégica. “Retirar a Câmara da região seria um desastre histórico, especialmente em um momento em que se discute a revitalização do Centro e sua retomada como referência para Goiânia e para o Estado”, enfatiza.
À frente do Departamento de Engenharia há quatro anos, Diego sempre teve relação com o Centro da cidade, agora intensificada pelo trabalho diário. Para ele, a ampliação da Câmara representa um ganho não apenas institucional, mas urbano: mais um elemento que ajuda a manter viva a dinâmica do Centro e sua importância histórica.