Ludymila Siqueira
Goiânia – O calor deve ganhar ainda mais intensidade em Goiás nesta semana, com temperaturas máximas que podem chegar a 40ºC em alguns municípios. É o que indica a previsão do tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) nesta segunda-feira (24/8). O céu fica com algumas nuvens, mas os ventos tendem a ter intensidade moderada.
O Estado está com alerta para o perigo de baixa umidade. Isso porque ela pode chegar a 12%, considerada bem abaixo da média ideal, que é acima de 60%. Com isso, há maior risco de incêndios florestais e de problemas de saúde, como ressecamento da pele, desconforto nos olhos, boca e nariz, além de desidratação. Nesse sentido, o Inmet recomenda evitar atividades físicas nas horas mais quentes do dia, especialmente no período da tarde, e a exposição ao sol, além de orientar a umidificação do ambiente. Em casos de urgência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo 199 e também o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Porangatu é o município que deve registrar o maior índice de calor, podendo chegar a 40ºC. A cidade de Goiás, 38ºC. Já a capital pode registrar 35ºC nos termômetros. São Miguel do Araguaia (39,4°C), Aragarças (39,0°C), Cidade de Goiás (37,7°C), Goiânia – Sede (35,1°C) e Água Limpa de Goiás (34,2°C).

(Foto: Léo Iram)
As temperaturas podem ficar até 3º graus acima da média. Outro fator importante são os raios ultravioleta que podem alcançar índices máximos, que podem resultar em queimaduras e lesões na pele. Além disso, a ausência de nebulosidade intensifica o contraste entre as temperaturas observadas ao amanhecer e os picos de calor da tarde. Essa forte oscilação térmica em poucas horas exige atenção preventiva com as vias respiratórias, devido às variações bruscas que superam os 15°C de diferença em um único dia, aponta o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo).
Queimadas
Com o tempo seco e o calor intenso, o risco de incêndios florestais aumenta consideravelmente em razão da baixa umidade e a presença de ventos constantes que propagam as chamas rapidamente. O uso do fogo controlado permanece terminantemente proibido no Estado. A projeção de estiagem e baixos índices de umidade mantém o estado de atenção máxima voltado para a proteção da cobertura vegetal em todo o território goiano, demandando vigilância rigorosa nas áreas urbanas e rurais para evitar e conter focos de queimadas.
Ao todo, 95 dos 246 municípios goianos estão com alerta crítico para incêndios. São eles: Água Fria de Goiás, Alto Paraíso de Goiás, Alvorada do Norte, Amaralina, Amorinópolis, Araguapaz, Arenópolis, Aurilândia, Baliza, Bela Vista de Goiás, Bom Jardim de Goiás, Bonópolis, Buriti de Goiás, Buritinópolis, Cabeceiras, Cachoeira de Goiás, Cachoeira Dourada, Caiapônia, Caldas Novas, Campinaçu, Campos Belos, Catalão, Cavalcante, Cocalzinho de Goiás, Colinas do Sul, Córrego do Ouro, Corumbaíba, Cristalina, Crixás, Damianópolis, Diorama, Divinópolis de Goiás, Doverlândia, Faina, Fazenda Nova, Flores de Goiás, Formosa, Formoso, Goiás, Goiatuba, Gouvelândia, Guarani de Goiás, Guarinos, Iaciara, Inaciolândia, Iporá, Israelândia, Itapuranga, Itumbiara, Ivolândia, Jataí, Jaupaci, Joviânia, Jussara, Mambaí, Mimoso de Goiás, Minaçu, Mineiros, Moiporá, Monte Alegre de Goiás, Montes Claros de Goiás, Montividiu, Montividiu do Norte, Morro Agudo de Goiás, Mundo Novo, Niquelândia, Nova América, Nova Crixás, Nova Roma, Novo Brasil, Padre Bernardo, Palestina de Goiás, Paraúna, Piranhas, Pirenópolis, Planaltina, Pontalina, Porangatu, Portelândia, Posse, Rio Quente, Rio Verde, Rubiataba, Sanclerlândia, Santa Fé de Goiás, Santa Rita do Araguaia, São Domingos, São João d’Aliança, São Miguel do Araguaia, São Miguel do Passa Quatro, Simolândia, Sítio d’Abadia, Trombas, Vicentinópolis, Vila Boa.

Força-tarefa para combater impactos do El Niño e queimadas
O Governo de Goiás apresentou, nesta terça-feira (18/8), o Gabinete de Ações Integradas (GAI), que visa monitorar o período de estiagem e combater os incêndios florestais, intensificados pelo fenômeno El Niño, com medidas preventivas, ações emergenciais e a recuperação de áreas atingidas. O órgão reúne entidades estaduais e instituições parceiras em um comando unificado, articulado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), por meio do Comando de Operações de Defesa Civil (Codec).
Neste ano, até 16 de agosto, Goiás contabilizou 138.908 hectares atingidos pelo fogo. No mesmo período de 2025, foram registrados 112.686, um aumento de 23,3%. “A nossa preocupação é com o super El Niño, que terá um impacto muito significativo caso se concretize. E o gabinete visa, de forma unida, encontrar soluções que minimizem os efeitos no Estado”, frisou o governador Daniel Vilela.
O trabalho do gabinete contará com inteligência artificial, imagens de satélite, drones e geoprocessamento. A estratégia busca antecipar situações críticas e garantir uma resposta mais rápida a emergências ambientais, hídricas, sanitárias e de proteção e defesa civil. “Estamos atuando em tempo real. Conseguimos identificar um foco de incêndio e, ao mesmo tempo, montar equipes. Descentralizamos e montamos seis bases no Nordeste goiano, onde está o maior foco de incêndio. Diariamente, vamos divulgar o que está acontecendo”, informou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Washington Luiz Vaz Júnior.

Comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Washington Luiz Vaz Júnior (Foto: Secom)
O cenário climático apresentado revela probabilidade superior a 90% de consolidação de um El Niño de intensidade forte a muito forte no segundo semestre de 2026. Em Goiás, os principais riscos são: atraso na recarga hídrica do solo, irregularidade das chuvas, redução dos mananciais, perdas na produção agropecuária e aumento de doenças respiratórias. Segundo dados do Monitor de Secas, 151 municípios goianos enfrentam redução contínua das chuvas e repetição de períodos de seca. Desse total, 51 aparecem constantemente envolvidos em situações de crise hídrica e necessitam de atenção prioritária.
“As unidades estaduais estão em operação com suprimentos regulares e colocamos como indicador aumentar em 30% o estoque estratégico de oxigênio, broncodilatadores e soro”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos. A secretária de Meio Ambiente, Andréa Vulcanis, destacou a importância da preparação com equipamentos, estruturação e capacitação das equipes. “Ampliamos em cerca de mil por cento a rede hidrológica, e isso tudo traz informações importantes para o monitoramento e para o gabinete”, disse.
Decreto
Conforme decreto do Governo de Goiás, o gabinete terá caráter executivo e deliberativo e será responsável por integrar decisões, pessoal, equipamentos e recursos logísticos. Ao todo, 20 setores estão envolvidos no Plano de Contingência Estadual: Agência Goiana de Habitação (Agehab), Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), CBMGO, Ministério Público de Goiás, Equatorial, Goinfra, polícias Civil, Militar e Penal, Saneago e as secretarias de Estado: Geral de Governo (SGG), de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), da Comunicação (Secom), da Educação (Seduc), da Saúde (SES), do Desenvolvimento Social (Seds), do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), da Segurança Pública (SSP), além da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).
Uma Sala de Situação será instalada no Codec, em Goiânia, e a estrutura consolidará diariamente dados sobre focos de calor, previsões meteorológicas, níveis de reservatórios e informações operacionais. A atuação será organizada em três frentes. A primeira contempla medidas preventivas, como o mapeamento de municípios com abastecimento comprometido, o cadastro de populações vulneráveis ao calor, o planejamento de contingência hídrica e a emissão de alertas sobre baixa umidade.
A segunda envolve ações emergenciais, como combate a incêndios, fornecimento de água potável, patrulhamento em parques e áreas de preservação permanente e reforço no atendimento de saúde. A terceira será voltada à recuperação das localidades atingidas, incluindo restauração de redes elétricas, recuperação ambiental, conservação do solo e apoio socioeconômico.
“A nossa preocupação é com o super El Niño, que terá um impacto muito significativo caso se concretize. E o gabinete visa, de forma unida, encontrar soluções que minimizem os efeitos no Estado”, frisou o governador Daniel Vilela.

(Foto: A Redação)
