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Cada um entende o que quiser

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09.03.2012 - 17:18:54


Desde que entrei no mundo do jornalismo – tal qual Cora Coralina dizia, eu venho do século passado –, me impressiona a forma de entendimento das pessoas. Você diz “a” e a pessoa entende qualquer coisa que ela quiser. E é mais inócuo que enxugar gelo tentar explicar que você não disse aquilo tudo que ela compreendeu. Na boa, a situação só piora. Então, me abstenho desse debate. Só para evitar a fadiga.

Isso acontece com frequência. É a tal da relação dialógica que um texto permite. Ele dialoga com seu leitor que segue uma linha de compreensão que independe do autor. Você emite uma mensagem e não domina absolutamente nada daquilo que será compreendido pelo seu interlocutor. O caminho entre você-mensagem-receptor tem mais mistérios do que supõe nossa vã filosofia – desculpe pelo delírio hamletiano.

Agora que mantenho essa rotina praticamente diária de publicações aqui no A Redação, a situação se agravou muito. Com são mais textos meus rolando pela internet, mais maus entendidos tenho que enfrentar. Quem está na chuva é para se queimar, não é Vicente Matheus? Encaro essa com prazer. E a internet ainda é mais propícia para as conversinhas. No mundinho das redes sociais, nem se fale! Nego tem analfabetismo funcional e sai propalando por aí aquilo que entendeu. Para evitar essas groselhas, deixe-me explicitar algumas coisas:

1- Não sou muito afeito a indiretas. Não procure nada nas entrelinhas do meu texto. Sou tosco demais para esse tipo de recurso poético. O que quero dizer é só o que está escrito ali, certo?

2- Sempre que defendendo um argumento, isso vai estar claro em uma frase do texto. Explícito mesmo. Sujeito, verbo, predicado. Uso essa estratégia como impacto e para deixar claro para quem lê, evitando essas interpretações sem pé e sem cabeça.

3- Eu não sou igual a esse povo que só pensa em uma coisa. Meus interesses são múltiplos e difusos. Um generalista nato. Palpiteiro de toda ordem. Por favor, não faça conjecturas que não existem. Ou melhor, existem só na sua cabeça.

Vamos ver se, de agora em diante, as pessoas vão procurar menos chifres na cabeça de cavalo ou pelo em casca de ovo nos textos que escrevo. Pensando bem, não sei se foi muito inteligente de minha parte publicar esse artigo. Tenho certeza que vão fazer mil relações e criar outros mil novos sentidos no que estou falando. É… Mas o que posso fazer? Controlar criatividade de doidão, gente com intenções escusas e criança é mais difícil que fazer com que o Ronaldinho Gaúcho volte a jogar bola. Vida dura…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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