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Cabeça Dinossauro continua no olimpo do rock brasileiro

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04.06.2012 - 12:28:44

 

Fui ao Clube Jaó no último sábado para conferir ao vivo a íntegra de um dos discos que mais ouvi em minha vida. Os Titãs subiram aos palcos para reproduzir todas as faixas do lendário Cabeça Dinossauro, lançado em 1986. Não vou entrar na seara da relevância desse trabalho para a história da música brasileira. Isso já foi tratado inúmeras vezes e por pessoas bem mais gabaritadas que eu. Basta fazer uma busca rápida pela internet que você verá o contexto da produção e os impactos da obra. Com tudo isso em mente, após o show, dá para perceber o quanto o repertório do álbum, da primeira à última música, é emblemático e especial.

Os Titãs foram hábeis ao montar essa turnê. Aproveitando do aniversário de 30 anos da banda, eles fazem o show de seu disco mais emblemático. Uma sacada genial. Afinal, a banda está longe de seu auge popular, que foi atingido no lançamento do Acústico MTV. A crítica também não foi generosa com seus últimos trabalhos de carreira. Tocar o Cabeça foi a forma de atrair a atenção do público para a banda e recolocá-los em um patamar de respeitabilidade artística, lembrando a todos a força estética daquele trabalho. Unir o útil ao que alimenta o ego.

Eles foram fundo nas referências ao álbum nessa turnê. A disposição do palco e a iluminação remetem à de 1986, com pegada mais simples. A bateria fica em um praticável baixo, com menos destaque ao instrumentista das baquetas. Os quatro titãs remanescentes (Branco Mello, Tony Bellotto, Paulo Miklos e Sérgio Britto) se revezam nos instrumentos, conferindo mais verdade ao show. A execução de quem compôs o material sempre tem mais vida do que um instrumentista mais capacitado tocando aquele tema. A apresentação abre com a música que batiza o disco e segue até terminar com O Quê?, passando por todas as 13 faixas. O público que compareceu em bom número ao Jaó cantou junto grande parte do repertório. Nos hits Bichos Escrotos, Polícia ou Homem Primata, a histeria foi geral. Em momentos menos populares, como Igreja ou Face do Destruidor, respeitosamente aguardava a próxima música mais conhecida.

Com o fim das músicas do disco, os Titãs deram aquela geralzona na carreira. Foi o momento mais dispersivo, quando o público saiu para pegar outra bebida ou ir ao banheiro. Fica clara a distância que existe entre o repertório do Cabeça e a pincelada pelos outros álbuns da banda. Sei que Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas e Õ Blesq Blom são geniais. Mas quando retiramos algumas músicas e diluímos entre outras de menor peso como A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana e Vossa Excelência, as pérolas ficam diminuídas. Ainda mais após uma sequência antológica como foi a do disco de 1986.

Quando começou Sonífera Ilha, percebi que eu não tinha mais o que fazer ali no show. O que eu queria ver, já estava visto. Nem esperei mais. Fui embora com a sensação de que o tempo não foi capaz de oxidar as 13 músicas de Cabeça Dinossauro – disco que está no time titular de qualquer lista com os melhores discos do rock brasileiro. 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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