O mundo está acabando.
As coisas vão de mal a pior: as calotas estão derretendo; as abelhas estão morrendo; eventos climáticos extremos estão pipocando pelo mundo; há crise de opioides, baixa taxa de natalidade e aluguéis estratosféricos. Algo está errado, alguém tem que ser responsável por todas essas catástrofes e, naturalmente, os culpados têm nome e estão muito evidentes: alienígenas.
É exatamente isso que pensa Teddy (Jesse Plemons), um conspiracionista devastado pelo luto e totalmente descolado da realidade pela dor que decide sanar todos esses problemas do mundo sequestrando e extorquindo a pessoa responsável: Michelle (Emma Stone), uma poderosíssima CEO de uma gigante farmacêutica mais do que suspeita.
O seu plano não é fazer essa líder de uma megacorporação assumir seus pecados, mas que ela admita ser quem ela verdadeiramente é: parte de uma realiza alienígena vampírica que estaria secretamente manipulando e sugando todos os recursos e coisas boas da Terra.
Essa é a premissa de Bugonia. Ao longo de sua duração, a narrativa mergulha principalmente no mundo de Teddy, seu passado e suas conspirações ao mesmo tempo em que evidencia que, apesar de uma vítima, ele é extremamente perigoso. Ao mesmo tempo, temos acesso ao ponto de vista calculista e frio de Michelle cujo único objetivo é fugir e se livrar desses malucos antes que se dê mal.
Tanto Plemons quanto Stone estão muito bons em seus papéis, sendo que esta marca a segunda parceria do diretor Yorgos Lanthimos cm Plemons e a quarta com Stone. A história é uma releitura de Save the Green Planet!, uma comédia coreana de 2003, mas a abordagem de Lanthimos é mais sutil que a do original que é muito mais escancarado e camp em sua execução.
O filme começa mais pé no chão e vai escalando no absurdo, culminando no seu final sagaz, explorando tanto a dor individual de Teddy como um veículo para o sofrimento e absurdo inerente e perene do capitalismo tardio global.
Assim, o filme mergulha na sátira de corpo aberto, ao contrário, por exemplo, de Uma Batalha Após a Outra, que relutou, hesitou e se recusou em entrar de cabeça e abraçar a hipérbole satírica necessária para sua narrativa. Bugonia faz isso de corpo e alma, sem medo de ser feliz.
Lanthimos une com maestria nesse filme sobre supostos aliens algo muito humano: a proximidade terrível entre o absurdo, o trágico, o cômico e, infelizmente, o cruel.
