Yuri Lopes
Goiânia – O beijo gay entre dois homens em uma novela da Globo foi definido por muitos como uma vitória, mas outro grupo acha exatamente o oposto disso. Acostumado a virar notícia pelas opiniões conservadoras, o deputado Jair Bolsonaro não ficou calado em relação ao beijo do casal Feliko. Quem também não poupou comentários foi o autor de novelas, Aguinaldo Silva, que disse, em 2010, que jamais um beijo gay entre dois homens seria exibido na Globo.
"Teve beijo gay na tevê brasileira e o país não entrou em convulsão, como se previa? Decepção! Pensei que era tipo um beijo antes de morrer!", tuitou Aguinaldo iniciando a série de alfinetadas. "A grande vantagem é que um dos maiores factoides já criados pela mídia, o tal do beijo gay na televisão, finalmente saiu de cena. Viva!", postou ele, que é desafeto declarado de Walcyr Carrasco. Em seguida, o escritor continuou a provocar os fãs do beijo gay. "Ah não! Já inventaram outro factoide: agora a turma quer ver um beijo gay… De língua!". E finalizou: "Mas, quanto a mim, continuo mantendo o que sempre disse: nada de beijo gay nas minhas novelas, beijo gay só se for aqui em casa."
Enquanto Aguinaldo Silva achou o beijo sem graça, o deputado Jair Bolsonaro considerou mau exemplo. “Acho que no futuro eles [os atores do beijo gay] vão se arrepender por contribuir para desconstruir a família”, disse no Twitter. Em entrevista à Folha de S. Paulo, Bolsonaro disse que filho gay bonito é o dos outros e afirmou, entre risadas, segundo o jornal, que o casal Niko e Félix era um par bonito. Em seguida, o deputado quis corrigir, dizendo que os atores têm potencial muito grande de beleza. Quem pensa que Bolsonaro acompanha novelas está enganado. “Eu não vejo novela porque tenho mais o que fazer, mas só tenho a lamentar isso [o beijo gay] porque a nossa sociedade caminha para essa desconstrução da família”, justificou.
Além de Aguinaldo e Bolsonaro, o intéprete de Félix, Mateus Solano, também deu sua opinião sobre a importância do beijo gay na Globo. "Fiz história? Não sei se fiz história. É tudo tão efêmero. É uma cena que, se Deus quiser, vai reverberar na sociedade e em outros trabalhos. É um pequeno passo na dramaturgia, mas um grande passo na sociedade", comentou.
Walcyr Carrasco postou no Twitter que está muito contente com o resultado de seu trabalho. "A novela foi um marco na quebra de paradigmas. Demonstrou para a sociedade a convivência entre diferentes. O beijo gay diz que o mundo é para todos", definiu ele.