Logo

Autismo e o diagnóstico precoce

WhatsAppFacebookLinkedInX
18.04.2016 - 18:13:17

Goiânia – O diagnóstico precoce de transtornos do desenvolvimento infantil, sobretudo o autismo, é mais que um desafio para os profissionais que trabalham com crianças: é uma obrigação!
 
O diagnóstico precoce permite intervenções que possibilitarão habilidades fundamentais para estas crianças em desenvolvimento, como aquisição da linguagem, melhor interação social e menos sofrimento em todo o funcionamento adaptativo desta criança, desde de bebê a adolescente e adulto jovem.
 
As pesquisas mostram que a maioria das famílias de crianças que evoluíram dentro do espectro autista trouxeram preocupações pertinentes aos profissionais de saúde a respeito do desenvolvimento atípico de seus filhos. Daí nosso grande esforço em sensibilizar os pediatras, psicólogos e educadores a estarem atentos aos sinais precoces de transtornos do desenvolvimento.
 
Muitas crianças apresentam alterações apenas qualitativas da linguagem e da interação social – o que dificulta o diagnóstico precoce, tornando-se necessário uma avaliação profissional. Mas se famílias e educadores estiverem atentos a sinais sutis de desenvolvimento atípico, tornar-se-ão nossos aliados nessa missão de reconhecer e estimular precocemente estas crianças que, por uma predisposição genética e fatores ambientais, estão dentro do espectro autista. 
 
Os bebês ainda com quatro meses podem ser avaliados quanto à sua reciprocidade afetiva, que é a resposta social à estimulação afetiva do outro: eles olham demoradamente para os olhos dos cuidadores, sorriem e emitem gritinhos de alegria e satisfação, bem como reagem diferentemente a estímulos diferentes.
 
Nesta idade precoce pode-se chamar a atenção dos pais e dos profissionais os sintomas de perturbação no sono e o choro persistente sem correlação com uma patologia clínica.
 
Depois de seis meses de idade, a criança adquire a habilidade da atenção compartilhada, que é a capacidade de dividir com um parceiro social um objeto ou evento interessante, trocando olhares, apontando, entregando objetos ou apresentando gestos antecipatórios (dar os bracinhos quando percebe esta intenção no outro).
 
Já depois de um aninho de vida, a criança tem que ser capaz de expressar-se também por  comunicação não verbal, utilizando mímicas, gestos, imitação e o apontar, além de responder ao ser chamado pelo nome.
 
É importante ficar atento ao brincar da criança, avaliando se ela consegue se envolver no faz de conta, nas brincadeiras de esconder o rosto, se usa os brinquedos funcionalmente ou prefere partes de objetos, se dispõe os brinquedos de maneira obsessiva, enfileirados por tamanhos ou cores. 
 
Estes são todos sinais de comprometimento no desenvolvimento infantil.
 
Para o diagnóstico e subsequente intervenção precoce precisamos de uma força tarefa entre família, profissionais de saúde (pediatras, psicólogos, fonoaudiólogos) e educadores (escola, pedagogos). 
 
Na idade escolar e adolescência chama a atenção o isolamento da pessoa. Nesta fase eles precisam pertencer a um grupo e o autista pode ter chegado até aqui sem o diagnóstico, enfrentando dificuldades sociais e afetivas.
 
O isolamento nesta idade é sempre um sinal de alerta, porém o autista prefere ser solitário, não se incomoda de ficar excluído dos grupos sociais, pode apresentar comportamento ritualístico e obsessivo, não suporta repartir seu espaço íntimo com outras pessoas e nem tolera mudanças bruscas de rotina ou que mexam em seus pertences. Também pode ter interesse exagerado em um tema específico e habilidades excepcionais em algumas áreas, como desenho e memória.
 
Fique de olho! Existe um tempo ótimo para estimulação precoce e não podemos deixar pra depois!
 

*Ana Márcia Guimarães é médica pediatra pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Ana Márcia Guimarães

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]