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As ferramentas de Dilma

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10.08.2011 - 13:51:35

O mundo de novo está em crise. Num movimento cíclico, iniciado na Europa, aos poucos se descortinou um cenário no qual mesmo as aparentemente mais sólidas economias se revelaram bem mais frágeis do que se esperava. Chegou aos Estados Unidos, maior economia do mundo, responsável sozinha por 30% de tudo o que se produz e se consome no planeta. Por todas as conseqüências decorrentes é que o governo brasileiro, embora tente não demonstrar, está apavorado. De proporções muito maiores que a anterior, que deu vida e graça ao termo marolinha, essa crise tem peso para derrubar as exportações brasileiras e o consumo externo, afetar os investimentos estrangeiros e, por que não, mexer com as projeções econômicas do ministro Guido Mantega. As condições do País, desta vez, do ponto de vista meramente estatístico são melhores, mas há um fenômeno que, se instalado, tem efeito devastador e cuja reversão exige mundos e fundos: o desânimo.


As autoridades e alguns economistas estão se apressando em dizer que a crise não atingirá o Brasil, que as condições macroeconômicas são melhores, que temos “gordura” para queimar e evitar maiores danos. Essa é uma meia verdade. Se as vendas externas caírem, produzirá desemprego em setores específicos, resultando na formação de um temor por parte da população economicamente ativa. Isso pode levar ao tal desânimo ao qual me referi. As pessoas deixam de gastar, passam a temer pelo futuro, compram o essencial e a economia, aos poucos, vai parando. Sem reação, essa bola se torna crescente e acaba formando um cenário de desaquecimento cuja retomada é custosa e demorada. Pronto, vira recessão. Disse a palavra que estava fazendo rodeios para não dizer.


Mas essa trajetória é inevitável? Claro que não. Dilma dispõe de meios para evitar que cheguemos a esse cenário, pelo menos até que o mundo resolva seus problemas de insolvência e de desconfiança com seus governantes. Vamos então ao que interessa: que dispositivos tem o governo para evitar que isso ocorra? Primeiro ele precisa constatar a queda das exportações e agir rápido, antes que as primeiras demissões sejam feitas. Ele pode, por exemplo, baixar o nível do depósito compulsório que recolhe dos bancos sobre os depósitos à vista. Esse dinheiro, que hoje virou um estoque espetacular de R$ 420 bilhões, pode muito bem ser usado para aumentar o volume de dinheiro em circulação, ampliar as ofertas de crédito e reduzir o nível de exigência para aqueles que precisam de capital.


Outra saída seria baixar os juros, estratosféricos, para evitar que as pessoas pensem apenas em poupar e guardar dinheiro e vejam vantagem em comprar. Toda vez que o juro sobe as vendas caem e o contrário, no caso, poderia manter aquecidas as curvas de venda. Se você tem uma remuneração ótima para suas economias, porque motivo vai sair gastando?
As reservas, hoje de US$ 350 bilhões, são outro instrumento importante. A modulação de uso, ora comprando, ora vendendo dólares, pode tranquilamente segurar o câmbio e regular a liquidez de dinheiro na praça.


Outra ferramenta que tem sido muito utilizada e que desta vez não será diferente é a carga tributária. O governo pode abrir mão de impostos, baixar pontualmente algumas alíquotas em segmentos como construção, carros, materiais de construção, linha branca, etc., de modo a mexer nos preços finais e torná-los atraentes ao consumo. Esses setores puxam outros e a economia garante o seu desempenho.
Como dá para ver, a presidenta Dilma tem muitas possibilidades. A ordem está clara, será a de manter o consumo interno a todo custo. Mas, cá entre nós, a grande torcida é para que o companheiro Obama dê logo a volta por cima, resolva rápido a desconfiança e os impasses eleitorais e livre não só o Brasil, mas o mundo, de uma crise que pode ter efeito devastador.

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Eleno Mendonça é formado em Jornalismo pela FIAM e em Publicidade pela Unip, tem vários cursos de especialização, como O Texto da Reportagem e Laboratório de Texto, pela ECA, da USP, e pós-graduação em História da Política, pela Universidade de Brasília (UnB). Entrou no jornalismo em 1982. Foi repórter no DCI, Estadão, Folha de S. Paulo, coordenador de Economia em O Globo, chefe da sucursal do Jornal do Brasil em  SP, Editor de Economia, Editor de Primeira Página, Secretário de Redação, Editor Executivo e Editor-Chefe no jornal O Estado de S. Paulo. Desde 2004 está na DPZ Propaganda, como diretor de Comunicação e Relações Governamentais.

 

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por Eleno Mendonça

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