Logo

Aplicação de ferramentas de startups e pequenas empresas convencionais

WhatsAppFacebookLinkedInX
27.11.2015 - 10:19:32

 
Goiânia – Durante o ano de 2015 o Sebrae em Goiás realizou várias ações de fomento às startups, empreendimentos que possuem um modelo de negócios repetível e escalável e que, por serem extremamente inovadores, lidam com condições de extrema incerteza, uma vez que, muitas vezes, criam produtos ou serviços ainda inexistentes (não havendo como saber se o produto da empresa irá realmente dar certo ou, pois nunca foi testado).
 
Em suas ações de capacitação o Sebrae trouxe para os empresários que se despontaram por sua trajetória de sucesso no mundo dos negócios, após fundar empresas que receberam investimentos milionários e se tornaram casos de sucesso aqui e no exterior.
 
A título de exemplo, citamos as palestras proferidas por Ana Julia Ghirello (uma das fundadoras do bomnegócio.com em 2011, empresa que foi comprada pela OLX em 2015), bem como a palestra de Tallis Gomes, Fundador da Easy Taxi.
 
Outro destaque foi a realização do workshop “Imersão 360 graus para empreendedores”, ministrado por Daniel Dalarossa, primeiro brasileiro a vender uma startup no Vale do Silício, a Cyclades, por US$ 90 milhões e que compartilhou com os participantes deste curso dicas práticas sobre inovação, liderança, marketing e a construção de um negócio rentável.
 
De todas as ações, a que mais nos surpreendeu foi a realização do Programa de Pré-aceleração de Startups, que auxiliou o participante a identificar o perfil empreendedor de sua equipe, validar seu modelo de negócios, usar ferramentas de Lean Startup, Management 3.0, Design Thinking, análise dos aspectos jurídico- financeiros, culminando em um pitch apresentado para uma banca de investidores.
 
Em síntese, um programa de pré-aceleração de startups tem como objetivo ajudar empresas que tenham modelo de negócios replicável e escalável a crescer de maneira rápida e alcançar seu break even (quando elas conseguem pagar suas próprias contas) no menor tempo possível, fomentando a consolidação da startups para que ela consiga atingir o lucro almejado.
 
Após o evento, ao fazer a análise junto às empresas participantes, em termos da aplicabilidade do conteúdo, para a nossa surpresa a empresa que relatou ter obtidos resultados mais expressivos, por meio da implementação do conteúdo visto durante o programa de pré-aceleração foi uma empresa do segmento de gastronomia, a Bistrôgonoffe, que não se enquadra como uma startup, uma vez que lida com produto físico e cujo modelo de negócio possui restrições de escalabilidade (uma das principais características de uma startup, que lhe permite um crescimento viral, com ampliação exponencial da receita, sem aumento proporcional nos custos e sem que isso interfira no modelo de negócio).
 
Criada em 2011, com um modelo de negócio inovador, a Bistrôgonoffe tem como produto um prato tradicional e nacionalmente conhecido, o estrogonofe, que serviu de mote para a implantação uma nova variação dos já conhecidos modelos de fast food e segundo André Beleza, proprietário da Bistrôgonoffe, “a participação no programa de pré-aceleração permitiu colocar em prática ferramentas que foram desenvolvidas para startups e que podem ser apropriadas por empresas de base tradicionais, como o Canvas, o MVP e o ciclo construir-medir-aprender. Em um curto espaço de tempo, pudemos implementar várias melhorias, testar e validar hipóteses que permitiram reduzir o tempo de atendimento e colocar em prática um novo modelo de expansão”.
 
Ferramentas de gestão
O “Business Model Canvas” permite um modelar um negócio, adaptado à realidade em que vivemos, marcada por mudanças rápidas e ambientes competitivos. Trata-se de um planejamento, uma ferramenta de gerenciamento estratégico, em um nível de complexidade que se situa entre uma versão mais complexa (plano de negócios) e um modelo mais simples (que pode ser um pitch ou sumário executivo, modelo de plano de negócio resumido, para investidores). Ao elaborar o canvas de seu negócio o empreendedor formula um documento que lhe permite visualizar como gerar valor para o seu cliente e como ser remunerado por isso, investindo pouco tempo e sem entrar nos detalhes exigidos por um formato mais complexo como o plano de negócios. Esta ferramenta pode ser usado tanto por novos empreendimentos quanto por empresas já existentes, pois ao mesmo tempo em que pode ser entendido como um mapa dos principais itens que constituem uma empresa, o canvas pode ser também uma fonte de estratégias para lançamento de novos produtos, projetos ou serviços.
 
O Produto Mínimo Viável (MVP) ajuda os empreendedores a testarem o produto ou serviço e a sustentabilidade do negócio, otimizando o esforço de desenvolvimento, testando a atratividade da ideia e a interação com os clientes, ajudando o empreendedor a responder às seguintes perguntas: “meu público possui interesse no meu produto ou serviço?”, “com ele é possível monetizar (receber dinheiro)?”, “e se eu investir muito tempo no desenvolvimento do produto ou serviço e ninguém comprar?”.
 
Ao construir e testar um MVP o empreendedor pode, de forma rápida e econômica, testar se um determinado produto, serviço ou funcionalidade é viável, com uma quantidade mínima de esforço e tempo de desenvolvimento, ajudando no processo de aprender de forma rápida, poupando tempo e esforços, o que nos leva ao outro conceito apontado: o ciclo “construir–medir–aprender”, constituído por ferramentas para medir resultados semana a semana, dia a dia, aproveitando os feedbacks dos clientes/usuários.
 
A medição feita de forma sistemática permite que o empreendedor aprenda continuamente e, diante de resultados negativos, realize mudanças e teste novas hipóteses, no menor tempo possível, o que lhe permitirá criar produtos ou serviços realizando mudanças mais rápidas, mais cedo, com “foco no usuário/cliente”, focando em atributos que são valorizados pelo cliente, evitando desperdício de tempo e recursos.
 
Em síntese, o depoimento do empresário André Beleza (proprietário do Bistrôgonoffe) apenas validou o que já sabíamos empiricamente, ou seja, que podemos e devemos disponibilizar às microempresas e também aos microempreendedores individuais, independente da sua áreas de atuação, as ferramentas de gestão que foram desenvolvidas para acelerar o desenvolvimento de startups, mas que se aplicam a outras empresas de base tradicionais.
 
Desta forma, essas empresas serão estimuladas a se inspirarem e emularem os dois principais desafios de uma startup: ser repetível (o que significa ser capaz de entregar o mesmo produto novamente em escala potencialmente ilimitada, sem muitas customizações ou adaptações para cada cliente) e ser escalável (o que significa crescer cada vez mais, em receita e faturamento, mas com custos crescendo lentamente, o que permite uma margem cada vez maior de lucro).
 
José Amorim de Oliveira Jr. é analista do Sebrae Goiás

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por José Amorim De Oliveira Jr.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]