Goiânia – O Anel Viário de Goiânia, belo projeto para interligar rodovias no entorno da capital e desafogar o tráfego, especialmente, de veículos pesados no perímetro urbano da cidade, começou a ser construído no já distante ano de 1996 – seriam 80 quilômetros – foi paralisado em 2001, teve sua morte decretada pelo governo federal em 2011, e em 2014 mostrou sinais de que poderia ressuscitar, modificado e diminuído, em uma parceria entre governo de Goiás e União. Inclusive, com a previsão de cinco anos para a sua conclusão. De lá para cá, se foram dois anos e nada de avanço do processo de construção da nova obra.
Semana passada, o presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Bastos, trouxe boas-novas sobre o assunto. Garantiu, em reunião com o governador Marconi Perillo, no Palácio das Esmeraldas, que as obras do trecho que compreende o desvio da BR-153, chamado Anel Leste, começarão em março do ano que vem.
Mas em meio a enxurradas de anúncios e lançamentos de obras alardeados pelos governos, que tantas vezes só ficam na conversa, há de se fazer um descomunal esforço para acreditar que a "garantia" do presidente da ANTT será cumprida na data estabelecida. A torcida é para que sim, obviamente. Nunca na história desse país se institucionalizou tanto o não cumprimento de compromissos e prazos marcados. Prometem, fazem festa para anunciar um projeto, uma obra, que nem começam, em várias situações, e quando iniciam, logo paralisam, deixando a comunidade com cara de palhaço.
No caso do trecho construído – da proposta original-, de grande movimento rodoviário e de pedestres, o que tem avançado é o risco de acidentes. A deficiente sinalização e a falta de iluminação na maior parte do percurso têm sido as principais causas de desastres, muitos resultados em mortes, naquela extensão de 18 quilômetros, da BR-153 à BR-060, que atravessa áreas urbanas populosas de Aparecida de Goiânia e da capital.
Se antes, ou pelo menos, paralelamente às discussões sobre o novo projeto do anel viário, houvesse atenção para a devida conservação, manutenção e melhoria das condições do trecho existente, seria o mínimo para resolver grande número dos problemas de segurança naqueles locais. Uma medida passando da hora é a instalação de redutores eletrônicos de velocidade, há muito, imprescindíveis naquela pista de rodagem.
Nas eleições passadas, ouviu-se bastante de situacionistas, oposicionistas e oportunistas, promessas de viabilizar a iluminação completa daquele trajeto. Ouviu-se. Não se viu para que se pudesse crer. Atualmente, a iluminação pública existente atende menos da metade da distância, uns oito quilômetros e meio, alternadamente, na região dos bairros Papilon, Mansões Paraíso, Cidade Vera Cruz, Garavelo Park, Garavelo, Center Vile e Moinho dos Ventos.
Na verdade, o ideal mesmo seria uma iluminação nos moldes das que o governo de Goiás colocou na BR-153 e nas saídas de Goiânia pelas rodovias estaduais. Aliás, houve muita expectativa de que o governador Marconi Perillo contemplasse o anel com tal benefício.
Apesar do ceticismo que paira hoje em dia sobre os eleitores, num ano eleitoral muita coisa quase impossível pode acontecer – o que está mudo pode falar e o que se encontra parado pode andar. É um momento muito propício para exigir dos atuais mandatários e dos candidatos, a consideração e ação necessárias para a resolução das questões básicas de segurança do que há do Anel Viário, que, lembram? A princípio, seria de 80 quilômetros. Ainda mais quando se reacende a conversa quanto ao início da construção do desvio da BR-153. E nesses tempos de sucessão municipal, a pressão da população pode ser decisiva.
*Sílvio José é jornalista
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