O derramamento de 56 mil litros de biodiesel no Rio Meia Ponte, após o tombamento de um caminhão entre Goiânia e Senador Canedo, chamou a atenção para um problema ambiental de grandes proporções. As imagens da tentativa de conter a contaminação, o monitoramento da água e a preocupação com os impactos ao ecossistema ganharam espaço no noticiário. Menos visível, porém igualmente importante, é o trabalho técnico realizado pelos auditores fiscais do meio ambiente, responsáveis por acompanhar a ocorrência, fiscalizar o cumprimento das medidas legais e subsidiar a responsabilização dos envolvidos.
É justamente em situações como essa que a sociedade percebe o valor da fiscalização pública. Mas a verdade é que esse trabalho não começa nem termina quando um acidente acontece. Ele está presente diariamente, muitas vezes de forma silenciosa, prevenindo riscos que poderiam comprometer a qualidade de vida de milhares de pessoas.
A atuação dos auditores fiscais municipais alcança áreas fundamentais para o funcionamento das cidades. Na saúde pública, a fiscalização de estabelecimentos ajuda a garantir condições sanitárias adequadas para quem consome alimentos, utiliza serviços ou busca atendimento. No meio ambiente, acompanha licenciamentos, coíbe infrações e protege recursos naturais que pertencem a toda a coletividade. No ordenamento urbano, verifica o cumprimento das normas que organizam o crescimento da cidade, preservam espaços públicos e promovem maior segurança para a população.
O cidadão costuma perceber a fiscalização apenas quando ela resulta em uma interdição, uma autuação ou uma operação de grande repercussão. Pouco se fala, entretanto, sobre os inúmeros problemas que deixam de acontecer graças ao trabalho preventivo desses profissionais. Uma irregularidade corrigida antes de provocar um acidente, um estabelecimento que se adequa às normas sanitárias, uma intervenção ambiental interrompida antes de causar danos irreversíveis representam vitórias que dificilmente se transformam em manchetes, mas que produzem benefícios concretos para toda a sociedade.
Em um cenário de crescimento urbano acelerado, aumento da complexidade das cidades e desafios cada vez maiores nas áreas ambiental e sanitária, fortalecer a fiscalização significa investir em prevenção. É uma escolha que reduz danos, evita gastos futuros e contribui para que as políticas públicas produzam resultados efetivos.
O episódio do Rio Meia Ponte serve como um alerta sobre os impactos que um único acidente pode causar. Mas também oferece uma oportunidade para refletirmos sobre quem atua na linha de frente para proteger o interesse coletivo. A presença de auditores fiscais qualificados, com autonomia técnica e condições adequadas de trabalho, não representa um custo para a administração pública. Representa uma garantia de que a legislação será cumprida, de que o patrimônio ambiental será protegido e de que a população poderá contar com instituições capazes de agir quando o interesse público estiver em risco.
*Horácio Mello é presidente do Sindiffisc
