A Redação
Goiânia – Diante da polêmica envolvendo a retirada de 48 árvores no Lago das Rosas, no Setor Oeste, um grupo de engenheiros agrônomos elaborou um documento técnico defendendo alternativas à supressão dos exemplares e propondo medidas para preservação da arborização do parque mais antigo de Goiânia.
O manifesto público foi elaborado a pedido de moradores da região contrários à remoção das árvores e encaminhado à Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), à Câmara Municipal de Goiânia e ao Ministério Público de Goiás (MPGO). O documento é assinado pelos engenheiros agrônomos Annibal Lacerda Margon (CREA-GO 7013/D), Antônio Pasqualetto (CREA-MG 58886/D), Fernanda Simão Souza (CREA-GO 6732/D), Jeanete Silveira (CREA-GO 2283/D) e Marcelo Bueno Fernandes (CREA-GO 6353/D).
Os profissionais defendem que a supressão de árvores seja sempre a última alternativa e sustentam que diversas técnicas de recuperação, diagnóstico e manejo poderiam ser adotadas antes da retirada dos exemplares previstos no Parecer Técnico nº 632/2026 da Amma.
Segundo o manifesto, problemas como presença de cupins, brocas, fungos, necroses superficiais e até comprometimento parcial das raízes podem ser tratados com tecnologias já disponíveis no Brasil. O documento cita procedimentos como endoterapia, que é a aplicação de produtos diretamente no sistema vascular das árvores, além de tomografia sônica, resistógrafo, radar de penetração no solo, podas estruturais e transplantes.
“Antes de cortar, existem alternativas”, afirmam os autores. O texto reúne exemplos de cidades brasileiras que utilizaram transplantes e tratamentos fitossanitários para preservar árvores adultas em obras públicas, entre elas Florianópolis, São Paulo, Manaus, Salvador, Campina Grande e Erechim.
Alternativas
Além do manifesto, os agrônomos elaboraram uma “Indicação Técnica de Recuperação Arbórea” voltada especificamente para duas espécies listadas no parecer da Amma: uma paineira-barriguda (Ceiba speciosa) e um pau-jaú (Triplaris gardneriana).
No caso da paineira, o documento aponta que cavidades existentes no tronco e no solo ao redor poderiam ser tratadas com limpeza interna, aplicação de fungicidas e preenchimento com materiais específicos para arborização. Para o combate a cupins e brocas, os especialistas sugerem endoterapia com inseticidas sistêmicos de baixo impacto ambiental, além de pastas antifúngicas e repelentes de insetos.
Outra medida defendida é a realização de podas estruturais para reduzir o peso da copa e diminuir riscos de tombamento. Quando necessário, os profissionais propõem a utilização de sistemas de ancoragem com cabos de aço galvanizado para garantir estabilidade ao exemplar enquanto ocorre sua recuperação. “A supressão é sempre o último recurso e, neste caso, ainda não chegamos lá”, afirmam os autores do documento.
Para o pau-jaú, os agrônomos recomendam uma sequência de intervenções que inclui poda de alívio da copa, tratamento contra cupins, adubação equilibrada e monitoramento fitossanitário periódico. O texto destaca que a presença de cupins não representa, por si só, motivo para retirada da árvore, sendo necessário avaliar o grau real de comprometimento estrutural por meio de equipamentos específicos.
Transparência
O manifesto também apresenta uma série de reivindicações aos órgãos públicos. Entre elas estão a divulgação integral do processo administrativo relacionado às supressões, a reavaliação individualizada das árvores por profissionais independentes, a distinção entre cortes motivados por risco e aqueles relacionados a adaptações do projeto de revitalização e a realização de consultas públicas antes de novas remoções.
Os engenheiros defendem ainda que equipamentos previstos para a revitalização, como áreas para pets e academias, sejam adaptados à vegetação existente. “O projeto é que se adapta à árvore, nunca o contrário”, diz o documento. Outra proposta é a criação de uma matriz pública de inventário arbóreo, com informações sobre espécie, localização, idade estimada, diagnóstico, grau de risco e medidas compensatórias para cada árvore do parque.
Entenda o caso
A retirada de quase 50 árvores nas redondezas do Lago das Rosas, em Goiânia, foi suspensa temporariamente após mobilização da população. Os trabalhos foi iniciados e suspensos ainda em maio. A polêmica começou depois que equipes da Amma iniciaram a remoção de árvores. Algumas delas, segundo moradores do Setor Oeste, não estariam comprometidas.
Goianienses se reuniram no último dia 24 em protesto contra a retirada das espécies. Os moradores defendem que, no começo do ano, o Ministério Público de Goiás já havia ressaltado que a retirada de árvores em áreas urbanas deveria ocorrer de forma excepcional, precedida de laudos técnicos detalhados, análise de alternativas e fundamentação baseada em critérios ambientais, urbanísticos e legais.
Após a manifestação dos moradores, a Prefeitura de Goiânia solicitou mediação do Ministério Público do Estado de Goiás para tratar da retirada de 48 árvores localizadas no Lago das Rosas. A informação foi divulgada pela presidente da Amma, Zilma Teixeira, em entrevista concedida no final do mês passado.

Goiânia sempre primou pelo Verde, houve época que havia equipes especialmente treinadas para a poda das árvores, cuidado com.a grama e os jardins. É por isto que Goiânia é bela.
creio que nos idos de 68/69, no Parque dos Buritis, ao lado do Fórum, à época, me lembro bem, foram plantadas todas aquelas árvores ao lado da av Assis Chateaubriand, e hj são belas e frondosas, são belas e magníficas, com muita sombra e fracos em nossas gostosas tardes equatorial.
vejo estas atitudes de mutilar árvores como uma atitude inconseque do Prefeito Mabel, acho q ele entende mais de biscoitos, do q de árvores, de bem estar social.empresário ele foca sempre em lucro econômico.
temos outros locais precisando muito mais de ações gerenciais de um bom Prefeito.
Exemplos : Projetos para remoção de invasores nas margens dos ribeirões de Goiânia, todos, utilizando as margens para canalizar águas pluviais e também os esgoto da cidade que estão precisando de socorro pq a cidade cresce dia a dia a mil por hora, empresários enriquecem mais e mais, e a cidade carente de uma visão futurista para o bem estar. não queremos ser uma São Paulo catastrófica e congestionada.
sobre meu exemplo de cuidar dos ribeirões, entendam: no Paque Amazônia, com o Bairro Serrinha, há um ponto de alagamento, q sempre aparece com vítimas fatais no período chuvoso. ali tem áreas invadidas, que o poder público pode desapropriar ou algo juridicamente legal, e ali fazer um belo lago, aproveitando as águas pluviais tanto do alto do Paque Amazônia, qto do Setor Serrinha e Pedro Ludovico, ondia a via de acesso seria superada e melhorada com uma nova ponte, ou melhor, um elevado.
Não me resta dúvida de que a saída para uma Goiânia, digamos bem cuidada, é ver o bem estar da sociedade bem cuidada, olhando especialmente para os bairros periféricos e especialmente para esta situação de meio ambiente, parques e jardins, empregabilidade e esgotamento sanitário. vamos estudar a retirada das invasões das margens de nossos ribeirões e antes de voltar a arborizar, utilizar conscientemente a construção de canalização das águas pluviais e novas redes de esgotos, afinal nossos ribeirões correm do Sul/sudeste para o norte/leste.