Ludymila Siqueira
Goiânia – Com ações e iniciativas operacionais, Goiás registrou redução 53,67% da área de vegetação queimada entre janeiro e setembro de 2026 se comparado com o mesmo período do ano passado. No Centro-Oeste, o Estado é o que mais reduziu os índices de queimadas neste ano, conforme dados da Alarmes/Lasa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), à frente do Distrito Federal (-39,67%). Já o Mato Grosso (+22,57%), e Mato Grosso do Sul (+90%) registraram aumentos significativos.
Como forma de reduzir ainda mais os índices de queimadas em áreas de vegetação, especialmente com foco nos possíveis impactos do fenômeno El Niño, o Governo de Goiás apresentou, nesta terça-feira (16/9), uma plataforma com uso de Inteligência Artificial integrada para o monitoramento das condições climáticas, dos focos de incêndios florestais, além das áreas de risco. O objetivo, segundo a gestão estadual, é atuar de forma conjunta com a prevenção e também em soluções mais rápidas e precisas nas ocorrências.
O governador Daniel Vilela (MDB) acompanhou a apresentação da nova ferramenta de IA e afirmou que a plataforma terá o objetivo de integrar todas as informações em uma única plataforma, facilitando a ação operacional da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Ainda segundo o chefe do Executivo goiano, o uso da inteligência artificial contribuirá para tomadas de decisões mais rápidas.
“Quando se trata do controle de queimadas, ações rápidas são decisivas. Isso porque o fogo se alastra rapidamente, especialmente neste período de seca. Com a plataforma, os analistas podem acompanhar em tempo real tudo o que está acontecendo, desde informações meteorológicas, focos de incêndio e áreas de risco. É uma forma de também trabalharmos na prevenção e fazer com que Goiás reduza ainda mais as áreas tomadas pelas chamas”, afirmou o governador Daniel Vilela.
Governador Daniel Vilela (Foto: Ludymila Siqueira/A Redação)
Outra novidade é que o Sistema Integrado de Monitoramento e Alertas de Goiás (Sima-GO) auxilia os agentes nas informações da situação do relevo no local do incêndio florestal. Com isso, contribui para que o grupo operacional do Corpo de Bombeiros possa agir de forma imediata e também avaliar de forma precisa as melhores estratégias a serem adotadas em cada caso específico. Isso ocorre porque a topografia de uma região dita o comportamento do fogo, a velocidade de propagação e o nível de segurança para as equipes de brigadistas.
Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Washington, afirma que a IA reduz o tempo de atuação em até 4 horas. “Em questões de segundos a plataforma analisa todos os satélites e traz informações conclusivas se existe ou não incêndio em determinado local. De imediato, envia uma mensagem ao produtor rural daquela região afetada e também envia os dados diretamente para a Central Regional, o que contribui para maior agilidade das operações”, detalhou. Além disso, o coronel enfatizou que por meio do WhatsApp, em um número que será disponibilizado em breve, a população poderá realizar denúncias que serão analisadas diretamente pelo sistema de inteligência artificial.
Comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Washington (Foto: Ludymila Siqueira)
Redução das queimadas
A nova tecnologia se soma aos investimentos na estrutura de combate a incêndios, como a implantação de 17 novos postos do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. Conforme Daniel, a previsão é chegar a 22 unidades até o fim do ano. Ele citou ainda a contratação de brigadistas em comunidades tradicionais, especialmente no Nordeste goiano, uma das regiões historicamente mais afetadas pelas queimadas no estado. Os profissionais recebem treinamento e equipamentos para atuar na prevenção e no combate aos incêndios, aliando capacitação técnica ao conhecimento das comunidades sobre o território para fortalecer a proteção do cerrado.
Para a titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Andrea Vulcanis, a principal contribuição do sistema é a agilidade na interpretação das informações. “A plataforma nos oferece as informações que precisamos para o combate aos incêndios e o resultado será a agilidade. Estamos com as equipes em campo, todos preparados, e a IA faz a interpretação dos dados e os entrega já interpretados com uma velocidade que o ser humano não consegue produzir”, afirmou.
Titular da Semad, Andrea Vulcanis (Foto: Ludymila Siqueira/A Redação)
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