Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – Síndrome caracterizada pelo declínio progressivo de funções cognitivas, como memória, linguagem, atenção, orientação e capacidade de planejamento, a demência leva a prejuízo da autonomia e das atividades do dia a dia. Esse tema foi exposto, de forma didática e bem acessível, por dois profissionais da área, ao abrir no sábado, dia 22, o programa de estudos deste segundo semestre, sobre Medicina e Espiritualidade, da Academia Espírita de Letras de Goiás.
Os primeiros sinais – como explicou a médica geriatra Isadora Crosara – podem incluir esquecimento de informações recentes, repetição de perguntas, dificuldade para encontrar palavras, administrar dinheiro ou medicamentos, além de alterações de comportamento e personalidade. Conforme disse, o diagnóstico precoce é importante para identificar causas potencialmente tratáveis e planejar os cuidados.
Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Goiás (2023) e especialista em Geriatria pela Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2006), ressaltou que para reduzir o risco é fundamental controlar pressão arterial, diabetes e colesterol, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, praticar atividade física, manter alimentação saudável, sono adequado, vida social ativa e estimular o cérebro com exercícios que tirem seu cérebro do conforto.
O tratamento depende da causa e pode incluir medicamentos para sintomas cognitivos e comportamentais associados a atividade física, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, estimulação cognitiva, boa alimentação e apoio familiar. Como frisou, o objetivo do tratamento é preservar a autonomia pelo maior tempo possível, reduzir complicações e proporcionar qualidade de vida ao paciente e à família. Para a dra. Isadora Crosara, a demência não faz parte do envelhecimento normal e a causa mais comum é a doença de Alzheimer, mas existem mais de 100 tipos de doenças que podem causar demência.
Sintomas
“É uma síndrome neurológica, quando se tem prejuízo em suas atividades do dia a dia e nas funções instrumentais”, ressaltou o especialista em Gerontologia pelo Hospital Albert Einstein, Arnaldo de Oliveira Amorim, profissional de Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. “É quando passo a ter dificuldade de organização de horários e compromissos, pagar contas, lidar com dinheiro de um modo geral, sentir confuso nas tarefas mais básicas do dia a dia, esquecer de tomar banho e não dar muita importância para a higiene pessoal”, disse.
O exercício físico é um aliado na prevenção, pois ao realizá-lo o músculo libera miocinas, que são proteínas que irão desinflamar todo o organismo, explicou Arnaldo Amorim, pós-graduado em Fisiologia do Exercício na Saúde, Doença e Envelhecimento pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Além da proteína BDNF, que atua de forma síncrona com o funcionamento do cérebro, maior vascularização sanguínea e, consequentemente, maior oxigenação e melhor funcionamento”.
Na prevenção também é preciso observar qual foi o último check-up com um médico geriatra. Por isso, recomenda controle da hipertensão, verificar a perda auditiva, a qualidade do sono, os vínculos sociais, tratar a depressão, evitar o sedentarismo, moderação ou suspensão de bebidas alcoólicas, e controle do colesterol LDL ou colesterol ruim e do déficit visual. “Assim estará cuidando para que a demência não se torne uma realidade”. completou.
