Tenho muita sorte de, em 2012, ter 40 anos e não, digamos, 16. Acho que seria uma verdadeira louca das redes sociais e afins se fosse uma adolescente. Provavelmente já estaria em uma camisa de força, apartada da sociedade e de qualquer gadget eletrônico, por proibição psiquiátrica.
Explico: quando tinha 16 anos, pra gente encontrar os amigos ou saber onde eles estavam, era preciso ir pra rua e “roletar” de carro pela cidade. A gente enchia o carro de amigas e saía por aí atrás dos paqueras e afins. Quando encontrava o alvo, parava o carro e descia. Ou saia chorando porque o ficante estava com outra. Pode parecer estranho para quem tem menos de 20 anos, mas nem celular existia.
Hoje, com o advento das redes sociais, instagrams, facebooks e foursquares, basta um clique para ver onde quem te interessa está, o que está fazendo e com quem.
Bisbilhoteiras por naturezas, as mulheres são as principais usuárias desse tipo de espionagem digital. Se a espiã em questão não tiver equilíbrio mental – coisa rara em adolescentes com hormônios e dramas em ebulição – é um passo para a loucura. Estado que eu já teria alcançado se estivesse vivendo minha adolescência hoje e não em meados dos anos 80.
Imagina terminar um namoro aos 17 anos, depois de dois anos de relacionamento e saber disso pelo status do Facebook dele? Ou ter que acompanhar o namoro do seu ex com a atual capítulo por capítulo, entre viagens, presentes, jantares, beijos e festas devidamente fotografados e documentados? Haja frontal e rivotril.
Além de alimentar a obsessão pelo namorado, paquera, rolo ou ex, as redes sociais também despertam um outro tipo de sentimento: a invejinha e o desejo de ter o que outro tem, especialmente para essa turminha que anda em bando, tem espinhas no rosto e aparelho nos dentes e gosta de se vestir, comportar e frequentar os mesmos lugares que sua tribo.
Na minha adolescência a gente, no máximo, queria ter a calça da Zoomp ou o tênis da Redley que a amiga ia vestida para a escola. E o objeto de consumo mais cobiçado era uma viagem para Disney aos 15 anos, coisa que atualmente qualquer moleque abastado de 10 anos já fez pelo menos umas três vezes.
Agora, em tempo real, a gente sabe quem está esquiando em Aspen, quem comprou o último modelo de óculos Ray-Ban e quem foi naquela festinha de 15 anos, para a qual você não foi convidado. Imagina o sofrimento da menina que ficou em casa acompanhando as fotos pelo Instagram da super festa, com direito a show, fogos e decoração imitando o Castelo de Versailles?
E tem ainda os blogs de moda, onde os assuntos giram em torno de bolsas Birkin, semanas de moda e estilistas de todo o planeta. Tudo escrito com muita propriedade e expertise por meninas de 12, 13 ou 14 anos do alto de seus “Labutãs” .
Quando releio minhas agendas e diários da minha adolescência, sempre acho que eu era uma Drama Queen e vivia cheia de tormentos e dúvidas. A adolescência é um período glorioso e, ao mesmo tempo, difícil em qualquer época.
Mas a adolescência, hoje, carrega ainda o fardo do consumo exarcebado e da vida como espetáculo.
É realmente duro adolescer.