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A televisão nivelada por baixo

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01.10.2012 - 11:23:17

Goiânia – Não sou muito de televisão. Minha rotina doméstica não inclui a TV ligada. Não que a casa seja silenciosa. Muito pelo contrário. Sempre tem um ruído, normalmente uma música rolando. Basicamente, assisto um telejornal matutino todos os dias. Além disso, jogos de futebol, shows e clipes, Simpsons, um filme ou um seriado muito eventualmente. Ponto. Então, não sou muito apropriado para falar da programação da telinha. Contudo, o pouco que vejo já me deixa abismado com o quanto está baixa a qualidade do que é apresentado ao público.

No telejornalismo, parece que só notícias policiais são relevantes. Qualquer furto de dez reais merece um destaque desproporcional no programa. E colocam aquelas imagens de bandido olhando para o chão, entrevistam a vítima, a família da vítima, os policiais que prenderam o criminoso, o infrator, testemunhas e tudo quanto é gente possível. Vem cá, é mesmo necessário tanto tempo para repassar essa informação?

As transmissões de jogos de futebol também viraram um espetáculo do grotesco. É tanta imagem, tanta groselha, tanto papo furado que periga terminar a partida e você nem se ligar no placar. Essa overdose de informações para lá de irrelevantes só serve para zonear a cabeça do telespectador. Alguém com déficit de atenção corre risco quando está em frente da telinha.

O argumento usado para essa piora generalizada é a guerra pela audiência. Programas apelativos teriam mais pontos no Ibope. Essa afirmação é meio como aquela história do ovo e da galinha: os programas ruins têm mais audiência por que o público quer ou os programas ruins têm mais audiência por que na verdade só são ofertados programas ruins? Não sei responder. Mas vou um pouco além disso. Começo a desconfiar de que o problema é que as emissoras não dão conta de fazer nada melhor.

Podemos pegar o domingo como exemplo. Sei que falar mal da programação dominical é chutar bêbado caído no chão. É simplesmente horrível em tudo quanto é canal. Mas será que os caras não percebem que se fizerem a coisa um pouquinho menos grotesca poderiam atrair um outro tipo de público? Outro exemplo de nulidade televisiva é a programação vespertina dos dias de semana. Haja fofoca para o pessoal conversar a tarde toda, hein… E haja estômago para conseguir assistir aquilo. Novamente desconfio da incapacidade de fazer algo menos deprimente.

Se a televisão não se reinventar, vai comer poeira. A popularização cada vez mais brutal da internet fará com que os profissionais da TV tenham que rebolar para permanecerem relevantes. Caso contrário, terão o mesmo futuro promissor das máquinas de escrever. Dizem que de onde temos menos expectativas é que não sai nada mesmo. Pelo que percebo, a televisão está na rota do ocaso. Fazer o quê? Os caras só estão colhendo aquilo que os próprios plantaram. 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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