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A simpatia do Pearl Jam

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06.08.2012 - 14:57:17


Ontem, depois do futebol, fiquei trocando de canal na televisão de forma inteiramente despretensiosa. Estava em busca de algo que prendesse minha atenção e tirasse do meu corpo pelo menos um pouco da derrota do domingo de noite que já impregnava no ambiente – não tenho dúvidas que o pior momento da semana é o domingo após o futebol. Nessa zapeada procurando algum veneno antimonotonia, me deparei com o Pearl Jam no palco, tocando Why Go do clássico álbum Ten.

Depois de um tempinho, saquei que passava no Multishow HD o documentário Twenty de Cameron Crowe. O PJ sempre teve fãs que são incrivelmente devotos à banda em todo mundo. É claro que no Brasil não é diferente. Me lembro quando esse filme foi lançado pó aqui. Em algumas salas, os ingressos se esgotaram rapidamente. Não fui ao cinema, esse filme não está na lista de obras que vou assistindo seguindo a ordem, não me gerou curiosidade alguma. Mas como eu não tinha nada melhor para fazer no domingo de noite, deixei a fita rolar.

Mesmo para alguém completamente desinteressado pelo PJ, não dá para não nutrir uma simpatia pela banda. No momento em que eles estouraram, eu era um adolescente de classe média baixa que não tinha muito acesso a muita coisa. Em um mundo pré-internet, o que rolava na Cultura estava mais longe do que dois cliques. Tive contato com os hits de rádio da banda, mas me empolguei mais com o Nirvana. A fúria de Cobain me seduziu mais que as lamúrias de Vedder. E não entrei para o time dos fãs incondicionais da banda. Gosto do PJ, mas nada além disso. Tenho só o Ten na minha coleção e nada mais. E se não comecei a ouvir mais PJ nos anos 1990, não seria agora que eu começaria. Tudo tem sua fase certa.

Colocado isso, preciso dizer que acho os caras da banda astral certo. Mais: é impossível ficar inerte e não começar a gostar de quem encampa as lutas que o PJ encampou. Treta com a maior vendedora de ingressos de shows dos EUA por um valor mais justo nas entradas, aversão à super exposição que lhes eram oferecidas, abraço às causas políticas e humanitárias que lhes pareciam justas, respeito absoluto pelos seus heróis do rock e os colocando no status que merecem… Como não achar legal quem tem essa ficha corrida?

O documentário de Crowe reiterou tudo isso que eu já sentia pela banda. A honestidade com que o PJ pautou sua carreira deveria servir de exemplo para qualquer um que se arrisque a pegar um instrumento e subir em um palco para mostrar seu som. O filme mostra as vísceras da banda. Os momentos de crise, como Neil Young os salvou do fim, a relação conturbada coma mídia, as loucuras de Vedder no palco, o respeito pelos ídolos, a forte relação com os fãs… Está tudo lá, sem ser chapa branca, sem ser sensacionalista. Uma abordagem íntima e verdadeira, como todo bom documentário deve ter.

Está prometido para 2013 novos shows da banda de Seattle no Brasil. Estão dizendo que eles serão headliners do Lollapalooza. Eu não me importo. Não são eles que me tirarão de casa. Já disse aqui no A Redação que minhas prioridades são outras. Mas não tenho dúvidas de que a experiência do show do PJ é intensa e arrebatadora. Se um desses que quero ver pintar no mesmo festival, estou certo que me divertirei vendo Vedder e companhia no palco. Certeza.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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