A notícia de uma doença misteriosa que matou uma funcionária do Instituto de Pesquisa sobre a Peste Irkutsk (uma peste pneumônica), na Sibéria, colocou uma pulga atrás de muitas orelhas. A funcionária, de 28 anos, morreu na última semana devido a uma pneumonia, e as autoridades não divulgaram mais informações sobre a morte. O Rospotrebnadzor, órgão de vigilância sanitária da Rússia, declarou que estava “encerrando as medidas de precaução adotadas, após concluir que não havia risco de epidemia e que havia compartilhado as informações mais recentes com a OMS”.
O órgão informou também que não foram detectados casos da doença entre as pessoas que tiveram contato com a funcionária que morreu, Darya Shipilova, e que 90% dos indivíduos em quarentena foram liberados depois que quase 5.000 testes laboratoriais não detectaram patógenos perigosos. A agência afirmou que Darya havia sido vacinada e, portanto, estava “imune às infecções perigosas com as quais trabalhava”. No entanto, não especificou a causa da pneumonia que a levou à morte nem como ela contraiu a doença.
Mas o que a morte de Darya tem a ver com a política brasileira e mundial e com a vida de cada um que vive no globo terrestre? Muito! Tem tudo a ver.
Quando a gente fala em uma agenda ambiental séria, o assunto não deve ser tratado como pauta de esquerda ou de direita, ideologicamente falando. Pensar dessa forma é demonstrar ignorância em estado bruto. A questão ambiental atualmente deveria ser uma das maiores preocupações políticas de qualquer líder, em todas as esferas políticas, em qualquer parte do mundo. Deveria! O aquecimento global é uma ameaça clara e plausível à vida na Terra.
O derretimento das geleiras e do permafrost (solo permanentemente congelado), devido ao aquecimento global, está liberando anualmente cerca de 4 sextilhões de microrganismos na natureza. Esse fenômeno expõe a humanidade a patógenos antigos (vírus, bactérias e fungos) adormecidos há milhares de anos, gerando o risco de reemergência de doenças para as quais a microbiota e o sistema imunológico modernos não têm memória de defesa. Os dados são da Medical University of South Carolina, nos USA.
Patógenos que permaneciam congelados na natureza podem estar sendo lançados em rios, por exemplo, por conta do degelo das calotas polares, provocado pelas altas temperaturas que são causadas, principalmente, pelo desmatamento e pela emissão descontrolada de gases poluentes e de efeito estufa. O degelo do permafrost na Sibéria avança de forma acelerada, impulsionado pelo fato de o Ártico aquecer até três vezes mais rápido do que a média global, segundo apurou a BBC News.
O exemplo da morte de Darya, na Sibéria, pode não ter nada a ver com isso. É, por enquanto, apenas um alerta. Mas é preciso atenção, já que as informações sobre a infecção que a matou e deixou tantos em quarentena ainda são poucas e desencontradas. Vale lembrar, segundo informações do próprio órgão de vigilância sanitária da Rússia, que a vítima já havia sido vacinada contra a pneumonia.
Os estudos, os fatos relatados e outros acontecimentos ligados às alterações drásticas no meio ambiente só chancelam o que vários órgãos ambientais e a Organização Mundial da Saúde vêm alertando há tempos. E é por isso que há necessidade de compreender como os gestores públicos tratam o meio ambiente e quais são as consequências para todos os seres vivos do planeta. E, por consequência, o ser humano sempre é e será o mais prejudicado.
O que temos de ter consciência é que o meio ambiente não é questão política e/ou ideológica. É questão de sobrevivência e permanência no planeta. Sem a vida, não há necessidade de pasto amplo, nem de ouro garimpado e nem de petróleo extraído. Qualquer riqueza se perde onde a vida deixa de existir.
*Rimene Amaral é jornalista, radialista e fotógrafo.
