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A moda e as redes sociais

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16.02.2012 - 19:16:18

A moda está naquilo que vestimos, mas ultrapassa os limites do guarda-roupa. Está na escolha do design do carro e no destino das próximas férias. Sua futilidade é mais presente em nossas vidas do que as mal-humoradas filosofias. Em comportamentos ou hábitos de consumo, penetra no cotidiano sem nos darmos conta – algo que muitos detestariam admitir.

Existem aproximações entre a moda e o uso das redes sociais. Desconheço alguém com uma razão útil para ter criado conta no Orkut. Em 2004, um amigo me disse com um tom de urgente na voz que eu precisava de um perfil. Era requisito para estarmos digitalmente incluídos, mas também a par das novidades. Precisávamos do Orkut para estar na moda!

A relação com a tecnologia já teve mais a ver com a falta do que com excesso. Álbuns eram baixados pelo KaZaa, uma música de cada vez. Não era incomum comprar dvd’s e revistas, nem parecia ultrapassado usar o Hotmail. Em 2005, para ser usuário do Gmail era preciso receber o convite de alguém! Nesse período, o acesso à informação digital ainda guardava ares de distinção e ter perfil no Orkut era ser diferente de muitos, mas parecido com alguns.

Não demorou a parecer estranho não participar do site: a moda foi popularizada, todos “precisavam” estar lá. Não havia maiores utilidades além de publicar fotografias ou atualizar o campo “quem sou eu” com frases de autores famosos – haja Clarice Lispector! Para manter contatos sociais ou usar comunidades para encontrar links de downloads. Tempos depois, o Orkut ficou brega: a moda estava saturada. Encerrei a conta.

Migrei para o Twitter, com suas frases espirituosas em 140 caracteres: o botão “retweet” criou celebridades! Seu fluxo de informações tornou-se uma forma de se atualizar num ritmo non-stop. A imagem do tuiteiro era a do sujeito “com conteúdo” e ligado em tudo o que acontece. É obvio que logo muitos quiseram parecer assim e o Twitter ficou popular.

Ainda predomina o impulso quase irresistível de narrar: se alguém comprou roupas, isso precisa ser tuitado. O consumidor elogia a marca mencionando com uma #tag e o pessoal do marketing agradece. Contudo, a rede possui limitações e não apresenta inovações atraentes. O humor ácido foi confundido com meras grosserias: Rafinha Bastos é um exemplo. Encerrei a conta e saí sem ser notado, mas o Twitter continua na moda.

Desde 2009 usando o Facebook, vejo que certas coisas não mudaram, como as óbvias fotos tiradas de frente ao espelho e as citações de Clarice. Porém, a funcionalidade e a interação são mais inteligentes: assinamos páginas ou pessoas para receber suas atualizações. Nem é preciso excluir os chatos: aceite a amizade e cancele a assinatura!

Fotos de bebês deformados, compartilhadas por quem acredita que assim doa R$ 0,25 aos sofredores, ou a ação dos haters, os “odiadores” profissionais, permitiria pensar que a moda de usar o Facebook se desgastou. Por outro lado, a blogueira Júlia Petit divulga o aplicativo Bubble Closet, que ensina a organizar e cuidar das roupas – serviço oferecido aos clientes Samsung. A Nivea usa sua página em campanhas publicitárias de desodorante e contrata blogueiras para recomendar o produto. Exemplos que mostram que o “fêici” é um campo aberto de possibilidades de consumo.

Atualmente, a censura antipirataria ameaça o que há de melhor na cultura digital – a liberdade de consumir informação. Se o Facebook se posiciona a favor dos usuários, é pelo serviço gratuito render lucros com publicidade ou produtos on-line. A empresa de Mark Zuckerberg acaba de entrar para o mercado de ações valendo cerca de 850 bilhões de dólares.

Aderir às redes sociais acompanhou o aumento da inclusão digital e a melhoria dos recursos tecnológicos disponibilizados, mas é também uma questão de moda. O fato de não ser novidade não desqualifica o uso de uma rede, mas moda e tecnologia priorizam o novo e andam de mãos dadas com o consumo. Novidades são tão fúteis quanto necessárias. Usufruir de inovações e modismos é divertido, mas é preciso limites. Futilidade é um dos prazeres da vida, mas em excesso nos deixa tão vazios quanto o Orkut deve estar hoje. Ser fútil é coisa séria!
 
Wladimir Machado é historiador e mestrando em Arte e Cultura Visual pela FAV-UFG, com interesse nas relações entre a moda e redes sociais

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por Wladimir Machado

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