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A maldição do prestador de serviços

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13.03.2013 - 19:17:27

Mudei de casa há poucos dias. Está tudo a mais completa zona. Tem um monte de coisas ainda encaixotadas, bagunça por todos os cômodos, um cabaré para qualquer lugar que se olhe. No meio desse caos, dependemos de serviços diversos para o novo lar. Eletricista, encanador, entregadores de móveis, instaladores de internet… Enfim, o mais variado rol de necessidades de uma residência classe média típica que está se readaptando a um novo local. No meio dessa labuta, conheci um mal que há séculos convivemos no Brasil e eu não tinha uma noção clara de sua abrangência: a maldição do prestador de serviços.

Alguém aí consegue me explicar porque raios todo prestador de serviços é tão enrolado? Os caras marcam um horário e furam; quando furam, não atendem o celular; quando atendem o celular, mentem; quando mentem, não se importam com as contradições; quando explicitamos as contradições, alteram o orçamento; quando alteram o orçamento, se esquecem de dizer que tem algo que você precisa comprar e ele não lhe avisou antes. Se você sabe a razão desse mal geral que aflige toda categoria profissional, por favor, esclareça aí nos comentários.

Seria muito mais simples se eles fossem honestos e não tentassem empurrar tudo na barriga. Pô, caso não consiga cumprir o prazo, avise com antecedência! Caso ache que o serviço não compensa, não fique enrolando! O palha é esperar uma eternidade, perder uma tarde inteira e o cara simplesmente não aparecer, não dar notícia e fazer a egípcia na alta. Nem sinal de fumaça, seja ela preta ou branca.

Deve existir um juramento na formatura de todo prestador de serviço no qual ele garante que honrará por toda eternidade os preceitos da história de sua profissão. Ou seja, atrasar com o cliente, pisar na bola nos prazos, inflacionar orçamentos, esquecer-se sempre do principal. Até consigo os ver na colação de grau, todos de beca, deixando orgulhosos os veteranos dessa carreira.

A verdade é que vivemos uma crise geral da mão de obra no Brasil. Precisamos de gente para tudo, desde os cargos mais qualificados aos mais elementares. A maré anda tão baixa que se o cara fizer só o básico arroz com feijão, já se transforma em ótimo, se destaca da média e fica requisitadíssimo no seu métier. E, naturalmente, passa a cobrar uma grana preta pelo seu trampo. Mais que justo. Afinal, ele oferece algo que o mercado infelizmente não consegue atender: cumprir com o combinado. Tem mais é que ser valorizado mesmo.

Para finalizar, alguém aí sabe de um eletricista firmeza para me indicar?

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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