Logo

A influência das cores no ambiente e no humor

WhatsAppFacebookLinkedInX
16.08.2017 - 09:55:04
 
Goiânia – Das cores utilizadas nas paredes das cavernas à criação dos sistemas que tentam organizá-las, uma longa história foi tecida. Os achados arqueológicos embasaram os conhecimentos sobre os primórdios da utilização das cores e o entendimento de seus processos. Estudar as cores nos leva por caminhos complexos e multidisciplinares, envolvendo várias áreas do saber, dentre elas: física, química, psicologia, antropologia, sociologia, entre outras. 
 
De qualquer maneira, usar a cor é uma tarefa difícil e requer grande habilidade do profissional, pois ao definir uma paleta de cores, surgem dúvidas sobre qual a melhor forma de aplicá-la e principalmente quais estratégias adotar. Essa situação leva alguns a praticamente anular o uso da cor ou aplicá-las de forma equivocada, limitando-se a uma cartela, às vezes, pobre e desinteressante, sem mais questionamentos sobre o efeito que elas trazem. Muitas vezes é esquecida a sua característica mais básica, a de tornar visível a forma aos observadores, já que a cor pode evidenciar ou esconder determinados elementos de uma composição. 
 
Quando se observa um objeto, associa-se a cor percebida a ele como se fosse uma característica material desse objeto, mas, embora pareça uma qualidade do material, ela é apenas uma sensação de quem a observa. 
 
Podemos estudar as cores sob três aspectos, que precisam ser pensados em conjunto. O aspecto físico, que acontece fora do ser humano, ou seja, independente da sua vontade; e outros dois aspectos, cultural e fisiológico, têm a interferência do ser humano como fator primordial na elaboração da percepção da cor.
 
O aspecto cultural da cor é sem dúvidas complexo, pois depende não apenas da relação com os demais aspectos, mas de uma espécie de autocompreensão. Somos influenciados pela nossa educação, gênero, crença, etnia, posição e atuação profissional. A percepção de cor é uma resposta produzida pelo indivíduo, é influenciada por fatores como a memória, a afetividade e a intenção do próprio observador. Para Silveira (2015, p.06), “[…] os significados das cores não são fixos, variando de acordo com os seus usos sociais concretos”.
 
A cor interfere no humor e cada pessoa reage a ela de forma diferente. Sua escolha, como já informamos, está associada às experiências, e assim revelam muito mais que afinidade, mesmo que existam diversas associações a respeito de determinadas cores. As cores afetam os nossos ânimos, algumas cores nos deprimem e outras nos deixam felizes; certas cores nos fazem sentir afáveis e outras, frios. Se considerarmos que o azul é uma cor tranquilizadora, o preto e o cinza serão cores deprimentes. 
 
A seleção das cores é algo muito pessoal. Todos nós temos nossas paletas de cores pessoais: são cores que consideramos apaixonantes, agradáveis, elegantes ou divertidas. Porém, como profissionais do design, temos que, frequentemente, trabalhar com cores que não nos sentimos muito à vontade. Sendo, portanto, importante compreender de que modo as cores se combinam e experimentam seus elos.
 
As cores frias possuem matizes azulados e esverdeados, em contrapartida, as cores quentes têm matizes amarelados e avermelhados, elas estão associadas a diferentes sensações. Psicólogos registraram reações imediatas e mensuráveis à cor; além da reação humana à cor, estão interessados na formação de preferências de cor. Outra abordagem é traçar as raízes de preferências de cor à influência cultural. Alguns teóricos da cor argumentam que a cor transcende as fronteiras culturais e geográficas.
 
O nível de discriminação cromático também varia entre as diferentes populações. Os valores afetivos da cor relacionam-se diretamente a seus usos socioculturais, e o próprio conceito de harmonia cromática varia de pessoa para pessoa, e de época para época com a mesma pessoa. O ato de parar diante de um sinal vermelho, ao dirigir, por exemplo, não resulta unicamente da visão e sensação da cor em si, mas principalmente da interpretação de um significado atribuído a essa cor, num determinado contexto, de acordo com as regras de uma determinada cultura. 
 
Com frequência as nossas associações mentais a respeito das cores procedem da história: o violeta é uma cor associada ao luxo, devido às antigas leis que permitiam somente à nobreza custear o caríssimo pigmento púrpuro extraído de um tipo de concha do mediterrâneo. Também as combinações de cores possuem um significado cultural. Vermelho e verde são as cores tradicionais do natal; em algumas culturas, vermelho, laranja, amarelo e marrom marcam a diferença de temperatura para o outono; branco e azul marinho se associam com temas náuticos, e as combinações de amarelo e vermelho geralmente são usadas nos restaurantes para despertar fome nos clientes. O preto é a cor do luto, da religião – o hábito dos padres e das freiras representa a negação simbólica da vida sexual. 
 
Símbolos de cor aparecem em imagens como metáforas. Alguns deles são partes de uma espécie de memória primordial, por exemplo, sinais vermelhos nos levam à excitação porque estão associados com sangue e fogo – sinais de perigo. Mesmo coberto com as armadilhas da vida moderna, o vermelho ainda recebe nossa atenção ao evocar respostas antigas. Alguns símbolos de cor têm origens religiosas, como a representação da Virgem Maria em azul como um símbolo da verdade e da justiça. Vermelho, o símbolo cristão do sofrimento e da regeneração pode ser invertido e aplicado a uma mulher "Scarlet" do "distrito da luz vermelha". A cor pode ser usada por razões sociológicas ou políticas como na identificação tribal, cores das gangues, e uniformes dos soldados. Cores individuais têm significados simbólicos que evoluem ao longo do tempo. 
 

*Josivan Pereira é arquiteto urbanista e tecnólogo em Design de Interiores, mestre pela Universidades de São Paulo, com foco no estudo da cor. Professor do IPOG nas Pós-Graduações Master em Arquitetura e Lighting e Design de Interiores – Ambientação e Produção do Espaço.
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Josivan Pereira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]