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A educação fica fora do cinema

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05.11.2012 - 17:30:24

Depois de décadas, consegui ir ao cinema com minha mulher na última quinta-feira, véspera de feriado. A baixinha dormiu na casa de meus pais e fomos ao shopping comprar alguns itens de casa que estavam faltando, comer um lance e pegar um filminho. Programa família brasileira total, mas que desde o nascimento da caçula não era feito. Não planejamos nada sobre a sessão e pegamos aquela que o horário coincidiu. Bateu de ser na hora do Ted, o do ursinho preferido de Protógenes Queiroz.

Antes de começar o filme, ainda durante os trailers, comecei a ficar incomodado. Ainda que as salas tenham tomado a medida civilizatória de vender ingressos com locais marcados, o público não entendeu que horário é coisa para ser respeitado. O povo vai entrando no escuro, tropeçando na sua perna para buscar seu assento, conversando e enchendo o saco geral. Mas ainda vai. O filme mesmo ainda não havia começado. Bola para frente.

Com as pessoas já em seus respectivos lugares, inicia o infortúnio do barulho dos lanchinhos. É gente mastigando com um balde de pipoca nas mãos, abrindo latinhas de refrigerante, papel de bombom mais ruidoso que show do Sepultura… Não tem jeito. Naquele ambiente, qualquer ruído, por menor que seja, ganha peso gigantesco. E incomoda na mesma proporção. Por que o infeliz não come antes de entrar na sala de cinema? É muito mais confortável, prazeroso e não atrapalha os outros. Não sou inteligente o suficiente para supor a resposta.

Mas o pior ainda estava por vir. Alguém desatento esqueceu de colocar o celular no modo silencioso e o maldito tocou. Como desgraça pouca é bobagem, a musiquinha do cara era Sweet Child O’ Mine do Guns n’ Roses. Nada contra o solo inicial de Slash, eu gosto bastante dos cabeludos hard rock de Los Angeles. O problema é que, com a deixa, um imbecil começou a cantar a letra da canção. E foi assim a primeira estrofe inteira, continuando mesmo depois do dono do aparelho o ter silenciado. Vi minha mulher ameaçar de dar um chute na cadeira do cara, coisa que não é do seu perfil. Entendi que o inconveniente proporcionado pelo metido a engraçadinho era muito além do razoável.

Nessa hora, lembrei por que eu deixei de achar prazeroso ir ao cinema. A falta de educação é tão grande que ficou mais divertido ver os filmes que gosto em casa. Se me dá sono, durmo e continuo assistindo quando acordo. Posso tomar uma de boa enquanto assisto e pauso na hora em que quero ir ao banheiro. Para fechar a lista de vantagens, não é necessário aguentar a tosqueira generalizada do público. É só bola dentro.

Como Ted não é nenhum primor que demande atenção, reflexão ou coisa assim, a irritação passou rápido. Mas já foi o bastante para perceber que filme em cinema não é mesmo para mim. Isso é coisa para gente jovem e com o espírito aberto. O que definitivamente não é meu caso.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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