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A dificuldade dos pais

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22.08.2011 - 21:24:31


Tem sido cada vez mais freqüente a reclamação de pais a respeito de não conseguirem dizer não aos filhos. Seja frente à enxurrada de ofertas de produtos para todas as idades, às inúmeras novidades que chegam praticamente todos os dias às lojas ou aos sites de compras coletivas, seja frente a uma birra. Enfim os pais parecem perdidos em ensinar seus filhos a realidade de que não se pode ter tudo.

Não há registros na História de gerações de pais que não reconheçam para si a legitimidade de poder sobre os filhos. Os pais se encontram tão amedrontados frente aos desejos dos filhos e não sabem o que fazer diante de tantas exigências. Se antes eram os filhos que faziam de tudo para não perder o amor de seus pais, atualmente são os pais que se aterrorizam frente à dúvida se seus filhos irão ou não amá-los. Mas afinal, o que tem acontecido com os pais? Pois aos filhos cabem as vontades, as exigências e até mesmo as manhas, pois são pequenos e estão em formação, são dependentes de alguém que os orientem, que diga o que é certo e errado, o que devem ou não fazer, até que chegue o momento de se apropriarem de suas próprias vidas e decidam qual destino seguir.

Mas voltando aos pais porque tanta insegurança? Pais e mães perderam a referência de seus papéis, perderam a noção da responsabilidade de ser um adulto que tem a difícil tarefa de educar uma criança que precisa de orientação para seguir as regras mais básicas como comer e fazer suas necessidades, até quais valores irá ter e que tipo de pessoa irá se tornar.

As terceirizações tão comuns nos negócios, nos serviços em casa e nas empresas também têm sido freqüentes no exercício da função paterna. Os pais têm passado as responsabilidades tanto de educar, quanto de brincar às babás, às escolas, à televisão entre outros. Outro dia alguém me disse: "Sabe qual o segredo para ter filhos? Tenha três babás. Uma para o dia, uma para a noite e uma folguista". Ora, para que ter filhos se não sou eu quem vai estar ao lado dele nos momentos mais simples como na hora de dormir, empurrando no balanço do parque ou ensinando a tarefa da escola?

Ser pai é se implicar na formação de um outro. Entendo que há a correria do dia-a-dia, mas a falta de tempo não tem permitido aos pais e futuros pais de analisar as reais circunstâncias da empreitada que é decidir ter um filho. Parece que os adultos acham que ter filho é uma conseqüência da vida de casado ou do tempo cronológico que assusta com suas limitações e esquecem-se de deixar espaço em suas agendas lotadas para o longo tempo exigido no processo de se fazer o delicado trajeto que vai levar um bebê, bárbaro por natureza, até que se torne um adulto pensante e responsável pelos seus atos. 

Juliana Gomes, mestre em psicologia pela PUC-GO.
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por Juliana Gomes

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