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A cada passo, um flash

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15.02.2012 - 15:27:40

 
Desde que foi inventada, há quase 200 anos, a fotografia exerce um grande fascínio na humanidade, capaz de provocar reações emocionais tão fortes quanto manifestações artísticas, como a pintura ou a música. Com a vantagem que, com o aperfeiçoamento da tecnologia, é uma forma de expressão ao alcance de quase todos, pois as facilidades são tão grandes que não exigem qualquer dom além da capacidade de enxergar e apertar botões. Mesmo que sejam raros os que conseguem transformá-la em objetos de arte.
 
Há muitos anos os governos conhecem a força da imagem impressa no imaginário popular. Os regimes socialistas, por exemplo, foram hábeis em manipular fotos como forma de propaganda política. A foto de Kim Phuc, uma menina de 9 anos de idade, deu um rosto para os horrores da guerra do Vietnã e ajudou a opinião publica norte-americana a  se posicionar contra o conflito. Há uma semana, a imagem de uma mulher com véu, segurando um parente ferido durante uma manifestação no Iêmen, ganhou o maior prêmio de jornalismo do mundo, o World Press Photo, numa cena que lembra a Pietá, de Michelângelo.

 


 Foto de Kim Phuc deu um rosto para os horrores da guerra do Vietnã (Foto: Nic Ut)

O advento da fotografia digital rompeu, há pouco mais de 20 anos, a última barreira para que ela passasse a ser, realmente, uma atividade rotineira, e que só se torna cada vez mais acessível com o barateamento dos equipamentos. A chegada dos smartphones e das mídias sociais tornou a fotografia um impulso praticamente irresistível, com reflexos em atividades como o jornalismo e com influência em movimentos políticos de uma forma jamais vista.
 

Especialistas de mercado já apostam que os celulares inteligentes decretarão a morte das câmeras compactas. Basta uma olhada ao lado, principalmente em shows ou cidades turísticas, para notar que a previsão parece acertada. Com lentes cada vez mais potentes, uso intuitivo e facilidade de transporte, os smartphones já representam uma ameaça concreta para as máquinas fotográficas mais simples.
 
E a conectividade com as redes sociais é, sem dúvida, uma vantagem enorme para os celulares nesta briga. Atualmente, 27% das imagens publicadas no Flickr foram feitas em smartphones. Em 2010, eram apenas 17%. O equipamento mais usado é o Iphone 4S, que apresentou um grande salto de qualidade de resolução em relação às versões anteriores do telefone da Apple. Mas equipamentos com sistema operacional Android, como o Galaxy S2, também contribuem para o fenônemo.
 
“Não há dúvida que o smartphone está se tornando muito bom para a maioria das coisas. E é graças aos celulares que as pessoas estão tirando mais fotos do que nunca”, disse Liz Cutting, analista de imagens da empresa de consultoria de imagem NPD, em entrevista coletiva recente. Segundo o site 1000memories,  em dois séculos foram feitas 3,5 trilhões de fotos. O site estima que, só em 2011, cada pessoa vez cerca de 150 cliques, o que significam 375 bilhões de fotografias em 12 meses.
 

 Logomarca do Instagram

 
O Facebook, como sempre, tem sua parcela de “culpa” nestes números explosivos. Calcula-se que o site de Mark Zuckerberg armazena 20% de todas as imagens feitas no ano passado. E os aplicativos para smartphones dão um impulso extra para os fotomaníacos: escolhido o aplicativo do ano para Iphone, só o Instagram registrou a publicação de 150 milhões de fotos no ano passado.
 
Resta como consolo para a indústria das câmeras que os fotógrafos que buscam registros mais elaborados ainda não aderiram aos celulares – e nada leva a crer que um dia trocarão um pelo outro. O mercado de câmeras com lentes intercambiáveis cresceu 12% em 2011, segundo o mesmo NPD. E o de equipamentos com zoom ótico superior a 10 vezes subiu 16%. Sinal que a velha máquina não deve ser aposentada em breve. Mas que ficará guardada para momentos especiais.
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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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