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A arquibancada das redes sociais

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26.03.2013 - 17:16:58

Goiânia – Se um extraterrestre chegasse agora na Terra e criasse uma conta no Twitter teria certeza que só existem dois tipos de seres humanos: os contrários e os favoráveis. A respeito do quê? De tudo. Qualquer assunto que vier à tona terá automaticamente um paga pau para o aplauso estúpido e um crítico para a destruição gratuita. Como se o mundo fosse um grande Fla-Flu, dividido entre governistas e oposição, direita e esquerda, politicamente corretos e incorretos. Essa separação é burra e limitada. A realidade é bem mais complexa. Não sei se falta inteligência ou caráter para perceber isso.

Os imbecis de redes sociais se portam como torcedores na arquibancada que são cegos para os defeitos dos seus times e não reconhecem acertos do juiz ou virtudes do adversário. Só existe um lado certo, não há possibilidade do contraditório. Só enxergam o preto e o branco. Os 50 milhões de tons de cinza entre os extremos são solenemente ignorados. Tudo é extremado, todo post tem um interesse escuso, tudo tem um fim impublicável. É muita paranoia.

A real é que como os caras são cordeirinhos de uma causa acham que todos também são assim. É inconcebível para eles admirar virtudes de um lado e do outro. Fazer a crítica aos vacilos a quem supostamente está alinhado é crime para a pena capital. Não percebem que ninguém acerta todas. E também que ninguém é o demônio encarnado na Terra. Temperança é coisa que eles não entendem. E, na boa, não vão entender nunca. Seja por falta de capacidade, seja por falta de interesse.

Essa satanização de tudo que vem do lado considerado adversário tem raiz fascista. É do tipo “ame-o ou deixe-o”, “meu único amor”, “meu único time”. Regimes totalitários costumam ser radicais na adesão. Não aceitam posturas divergentes em seu corpo. Nutrem horror ao contraditório. Silenciam as vozes dissonantes. Desculpe, mas eu não vou entrar nesse coro. Percebo as contradições das coisas nas quais acredito e não vou bater palmas para aquilo que não me convence. Se tem quem faça, beleza. Eu não.

As pessoas têm que sair da frente do computador e voltar a sentir a vida de verdade, sacar qual o cheiro da rua. Milhares de assinaturas são coletadas pela internet e o Congresso continua com suas aberrações para tudo quanto é lado. A revolução não será curtida, comentada e nem compartilhada. Os 140 caracteres são insuficientes para demonstrar todas as nuances de um fato. A partidarização pueril é um equívoco sério. E, infelizmente, reiterada com frequência que extrapola o razoável. Lastimável.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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