“Imaginação é mais importante que conhecimento.”
Albert Einstein
Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro do Brasil. Décadas depois, Steve Jobs e sua equipe imaginaram que um telefone poderia deixar de ser apenas um aparelho para falar e se transformar em uma extensão da vida cotidiana. Ideias muito diferentes entre si, mas que compartilham algo essencial: alguém foi capaz de enxergar uma realidade que ainda não existia.
O conhecimento é fundamental para transformar essas ideias em realidade. Ele organiza, estrutura, calcula e torna possível. Mas é a imaginação que nos permite atravessar os limites do que já conhecemos e perguntar: “E se fosse diferente?” “E se isso fosse possível?”
É nesse território entre conhecimento e imaginação que nasce aquilo que podemos chamar de Design de Imaginação: a capacidade de transformar informações, histórias e necessidades em algo que ainda não existe. Não se trata apenas de criatividade estética, mas de imaginar novas formas de contar uma história, ocupar um espaço, transmitir conhecimento e provocar emoções.
Nos museus, talvez esse exercício seja ainda mais evidente. Estamos vivendo um momento em que os espaços expositivos deixam de ser apenas lugares de contemplação para se tornarem experiências vivas, museus assumem um novo papel: o de educar, conectar pessoas, provocar reflexões e construir narrativas que ultrapassam seus próprios limites físicos. Museus passaram de instituições pragmáticas com a função de somente preservar e salvar a memória para se transformarem em espaços de pertencimento, que sintetizam o “espírito do seu tempo”.
Em muitas cidades, os museus têm se tornados objeto de desejo turístico, assumindo um protagonismo não apenas como espaços de cultura, mas também como espaços espetaculares e de exuberância. Um museu pode transformar toda uma cidade, gerando pertencimento e se colocando como uma ferramenta “turística/cultural/educativa/transformacional”.
Alguns Museus pelo mundo tiveram a capacidade de transformar o meio na qual estavam inseridos. É o exemplo do Museu Guggenheim em Bilbao, na Espanha, em Dubai o Museu do Futuro se tornou um ícone mundial e o novo Museu de Ciência e Tecnologia de Shenzhen, na China tem atraído milhares de visitantes. Mas é o caso também do MEA – Memorial da Evolução Agrícola, que foi desenvolvido no noroeste gaúcho, na cidade de Horizontina/RS. São mais de 3.000 metros quadrados de área expositiva, com simuladores, holografias, tecnologia cenográfica e muita interatividade que conta a história da agricultura no Brasil. Além da área expositiva, o espaço conta com área de convivência, quadras de futebol, vôlei de areia, espaço Kids, além de uma estrutura de formação profissional do Senai. Todo o complexo tem mais de 60 mil metros quadrados. Esse Museu foi inaugurado em dezembro de 2023 e já recebeu mais de 150.000 visitantes, tornando-se o símbolo da cidade e atraindo muitos turistas e curiosos.
Exemplos como esses mostram que um museu pode ir muito além de preservar e apresentar a história. Quando conectado à identidade de uma cidade, ele pode se tornar um espaço de encontro, educação, cultura e pertencimento, além de contribuir para o turismo e para a valorização do próprio território.
É com esse olhar que nasce, em Aparecida de Goiânia, o Instituto Tanner de Melo – ITAME. Mais do que contar a trajetória do político, músico e poeta Tanner de Melo, o espaço foi concebido para preservar e compartilhar a história da cidade, conectando suas origens, suas transformações e os sonhos de quem ajudou a construí-la.
A experiência começa antes mesmo de entrar no museu. No centro da cidade, o edifício do ITAME se apresenta como uma escultura urbana, tendo como um de seus elementos marcantes um grande painel criado pelo artista Deneri. Internamente, o visitante é conduzido por uma jornada sensorial em que passado, presente e futuro se encontram. O percurso começa pelo Cerrado, passa pela religiosidade presente nas origens do município e pelo cotidiano dos primeiros moradores, até chegar ao movimento de emancipação política de Aparecida de Goiânia, que teve Tanner de Melo como um de seus protagonistas.
Essa história é apresentada por meio de cenografia, inteligência artificial, holografia, grandes projeções, instalações digitais e recursos audiovisuais. A tecnologia, porém, não é o objetivo da experiência, mas uma ferramenta para aproximar as pessoas da história e transformar conhecimento em vivência.
E a jornada não termina no passado. Um dos espaços mais simbólicos do ITAME é justamente aquele dedicado ao futuro. Nele, crianças, jovens e adultos são convidados a imaginar como será Aparecida de Goiânia nas próximas décadas. Desenhos são coloridos pelos próprios visitantes e ganham vida em uma grande parede digital de 40 metros quadrados, fazendo com que cada pessoa também possa deixar sua marca nessa história.
Talvez seja justamente esse o papel de um museu contemporâneo: preservar aquilo que não podemos esquecer, mas também nos dar coragem para imaginar aquilo que ainda não existe. Foi assim que pensamos o ITAME. Um espaço que olha para a história de Aparecida de Goiânia com respeito, mas que também convida cada visitante a olhar para frente e imaginar qual cidade deseja construir para as próximas gerações.
Na Straub Design, acreditamos que tudo começa pela imaginação. Por isso, nossa missão é dar todo o poder para a imaginação. Provocar nossos clientes a sonhar grande, imaginar sem medo e enxergar possibilidades onde antes havia apenas uma ideia. Depois, vem a nossa parte: transformar aquilo que foi imaginado em realidade.
Afinal, antes de existir no mundo, toda grande realização existiu primeiro na imaginação de alguém.
Wil Caravanti É CEO Straub Design