Ao longo da história, o cavalo acompanhou o ser humano na guerra, no trabalho, na cultura e na terapia. Hoje, seu comportamento também inspira uma reflexão sobre gestão: ele responde menos ao discurso do que à postura de quem o conduz.
O cavalo percebe o ambiente, capta sinais e reage ao estado emocional de quem está por perto. Nas empresas, as equipes fazem algo semelhante. Uma liderança que fala em confiança, mas controla cada passo, ou defende autonomia enquanto transmite tensão, perde credibilidade. Sem ela, resta o cargo, não a liderança.
A organização social desses animais oferece outra lição. Estudos com manadas selvagens e semisselvagens de mustangs nos Estados Unidos mostram que a condução do grupo frequentemente cabe a uma fêmea experiente. Ela influencia a direção e o ritmo dos deslocamentos pela leitura do ambiente e das relações na manada. Os machos também têm papel importante, sobretudo na proteção diante de ameaças.
A comparação com as empresas não deve ser tomada como uma fórmula. Ela ajuda, porém, a pensar em funções complementares: decidir o rumo, proteger o time e remover obstáculos. Liderar exige visão e capacidade de agir, sempre com atenção às pessoas afetadas por cada decisão.
No cooperativismo, essa atenção é decisiva. O resultado depende de alinhar interesses, construir confiança e sustentar relações de longo prazo. A autoridade formal, sozinha, não mobiliza ninguém. O movimento coletivo precisa de direção clara e de um propósito que faça sentido para todos.
Há ainda a maneira como o cavalo responde à pressão. Na equitação, conduzir envolve indicar o caminho, permitir a resposta e ajustar o ritmo. Pressão contínua pode gerar resistência; falta de direção, dispersão. Equipes também precisam de metas e prazos, mas rendem melhor quando têm espaço e confiança para executar.
Os sinais merecem atenção. Mudanças no olhar, na respiração e na postura do cavalo indicam desconforto ou alerta. Nas organizações, os sinais aparecem no silêncio excessivo, nas conversas interrompidas e na queda de engajamento. Quem os percebe cedo tem mais condições de agir antes que o problema se torne crise.
Essa percepção se relaciona às habilidades emocionais e sociais de quem lidera. De pouco adianta um discurso convincente quando a conduta o contradiz. Antes de conduzir uma equipe, é preciso reconhecer as próprias reações à pressão. A postura do líder influencia o ambiente e a segurança que as pessoas sentem para trabalhar.
Em tempos de maior atenção à governança, à ética e à transparência, liderança é também uma questão estrutural. Os cavalos nos lembram de uma ideia simples: respeito se constrói, confiança se pratica e coerência se demonstra. Em uma cooperativa, onde o resultado é necessariamente coletivo, essas atitudes fazem parte do trabalho de todos os dias.
Fábio Prudente, gestor e presidente da Uniodonto Goiânia
