Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Mais antiga e tradicional instituição cultural e científica do Brasil, fundada em 21 de outubro de 1838, no Rio de Janeiro, com o objetivo de promover a pesquisa, a coleta e a preservação da história e da geografia do Brasil, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro está completando 188 anos. A data será lembrada em sessão magna comemorativa convocada para a próxima quarta-feira, dia 21, às 17h, em sua sede, na av. Augusto Severo, 8, 12º andar, no bairro da Glória, Rio de Janeiro.
Goiás já esteve representado nessa tradicional e mais antiga instituição cultural do país por três destacados escritores – Leopoldo de Bulhões, Colemar Natal e Silva e José Mendonça Teles – e atualmente tem em seus quadros o historiador Jales Guedes Coelho Mendonça, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, que ingressou como Sócio Correspondente do IHGB em janeiro de 2025.
O trabalho realizado pela atual gestão projetou nacionalmente o IHGG, o que motivou o IHGB a promover na sede do Instituto goiano, pela primeira vez fora do Rio de Janeiro, em outubro de 2025, o VIII Colóquio Nacional de Institutos Históricos Estaduais, que teve como tema “Dom Pedro II e o Brasil: 200 anos”.
Fundação
A criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro foi proposta à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional pelo marechal Raimundo José da Cunha Matos e pelo cônego Januário da Cunha Barbosa, inspirados por modelos europeus. Dois meses depois, os fundadores reuniram-se na sede da SAIN para dar início às atividades do novo instituto.
De acordo com os seus estatutos, o objetivo do IHGB era “coligir, metodizar, publicar ou arquivar os documentos necessários para a história e a geografia do Império do Brasil”. Dos 27 membros iniciais, 12 eram conselheiros de Estado – desse grupo, sete eram senadores, três eram professores (dois do Colégio Pedro II e um da Academia Militar); havia ainda desembargadores, funcionários públicos, militares e um pregador imperial (Januário da Cunha Barbosa).
Modelo e inspiração
O IHGB foi criado durante o Período Regencial (1831-1840), quando Dom Pedro II ainda era uma criança, após a abdicação de Dom Pedro I. Nesse período, políticos de correntes distintas se alternaram no governo. O país enfrentou sérias dificuldades, que ameaçaram a unidade nacional, com revoltas em vários pontos de sua extensão geográfica no Grão-Pará, no Maranhão, na Bahia e no Sul do país – a mais longa, chamada de Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos.
Essas revoltas mostravam o descontentamento com o poder central e as tensões sociais vivenciadas pela nova e independente nação. Tornavam-se urgentes ações políticas que assegurassem a unidade nacional, e estratégias que consolidassem a ideia de nação. Assim, a produção intelectual veiculada pela revista do IHGB procurava legitimar o papel da monarquia constitucional para garantir a ordem e a unidade territorial.
O IHGB serviu de modelo e inspiração para a formação de outros institutos regionais no país e soube manter suas atividades no período, promovendo publicações, eventos e armazenando acervos que dizem respeito à história do Brasil em seus diversos momentos.
Atualização
Ao longo de sua história, buscou atualizar sua missão institucional, de pensar o Brasil e reunir documentos da história e geografia do Brasil. Nesse objetivo, promove o diálogo acadêmico e apoia o desenvolvimento de pesquisas inovadoras no campo da História, Geografia e Ciências Sociais e a defesa do patrimônio cultural brasileiro.
Em sua missão, o IHGB se afirma como instituição de referência dos debates contemporâneos da sociedade brasileira em favor do fortalecimento da cidadania, da democracia e da justiça social, inspirando novas gerações a participar da vida intelectual e tomar o Brasil como objeto de estudo.
