Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – A missão de Jesus Cristo pode ser sintetizada em três palavras – ensinar, curar e transformar –, como enfatizou a servidora pública Camilla Arruda, formada em Direito pela Universidade Federal de Goiás, ao analisar, na sessão da Academia Espírita de Letras de Goiás, no sábado, dia 3, o “Tratado dos Evangelhos”, abordando mais especificamente o tema ‘Curas e ensinamentos de Jesus por toda a Galiléia’. Explicou que ele percorria a Galileia levando a boa-nova e, ao mesmo tempo em que ensinava, acolhia aqueles que sofriam. “Curava enfermidades físicas, mas o texto nos chama a perceber que sua ação ia muito além do corpo. Ele também buscava curar as dores da alma, despertar o arrependimento, fortalecer a fé e ensinar o amor”.
“Talvez esteja aí uma das maiores lições para nós, que nos acostumamos a pensar em cura como a solução de um problema: uma doença que desaparece, uma dificuldade que termina, uma situação que finalmente se resolve. Mas os ensinamentos de Jesus nos mostram uma cura muito mais profunda: a transformação do ser humano por dentro”, afirmou.
Amor ao próximo
Quando Jesus dizia: “Tua fé te curou”, ele não estava apenas falando da cura de uma enfermidade, “e sim mostrando que a fé, quando verdadeira, é uma força capaz de nos modificar”. “Na visão espírita, compreendemos que somos espíritos em processo de evolução. Nossas dificuldades, nossas imperfeições e até mesmo nossas dores podem fazer parte desse processo de aprendizado”, ressaltou. “Isso não significa que devemos simplesmente aceitar o sofrimento de forma passiva. Ao contrário: devemos buscar a melhoria, o auxílio, a prece, o tratamento necessário e, principalmente, a transformação interior”.
“Jesus também nos deixou outro ensinamento fundamental: o amor ao próximo”, sublinhou Camilla, ao destacar que o texto destaca que “Ele se aproximava justamente daqueles que a sociedade muitas vezes deixava à margem: os pobres, os doentes, as crianças, as mulheres, os idosos e os sofredores”. “E isso nos faz uma pergunta muito simples, mas profunda: Quem são os “pequeninos” que estão ao nosso lado hoje?”.
“Pode ser alguém da nossa família que está precisando de paciência. Pode ser um colega que passa por uma dificuldade e que precisa apenas ser ouvido”, ressaltou. “Pode ser alguém que nos magoou e que ainda não conseguimos perdoar. Pode ser até uma pessoa que pensamos não ter nada para nos oferecer. Jesus nos ensina que ajudar o outro não é apenas fazer grandes coisas. Às vezes, uma palavra, um abraço, uma escuta atenta, um gesto de compreensão ou um pouco de paciência já são formas de caridade”.
Ela considerou especialmente importante uma passagem do texto no qual Jesus ensinava o arrependimento, a mudança de atitude e o abandono dos velhos hábitos. “Isso significa que o Evangelho não é apenas algo que devemos conhecer. É algo que precisamos viver”, disse. “Não adianta admirarmos Jesus se continuamos alimentando dentro de nós a mágoa, a intolerância, o orgulho ou o desejo de revidar”.
Verdadeira transformação
A verdadeira transformação, conforme salientou Camilla, “começa quando conseguimos olhar para nós mesmos e perguntar: ‘O que eu preciso mudar em mim?’. Talvez eu precise falar menos e ouvir mais. Perdoar alguém. Ter mais paciência com aqueles que convivem comigo. Reclamar menos. Julgar menos. Agradecer mais. Ou simplesmente aprender a fazer o bem mesmo quando ninguém está olhando”.
Essa talvez seja a grande lição moral do texto, como assinalou: “Jesus veio curar o mundo, mas essa cura começa em cada um de nós”. “Se queremos um mundo mais fraterno, precisamos começar sendo mais fraternos. Se queremos mais amor, precisamos oferecer mais amor. Se queremos menos violência, precisamos vigiar nossas próprias palavras e atitudes. Se queremos um mundo melhor, precisamos começar pela pequena parcela do mundo que está sob nossa responsabilidade: nós mesmos”.
“Que possamos, então, não apenas admirar as curas realizadas por Jesus, mas buscar a cura que Ele continua nos oferecendo: a cura do coração pela fé, pelo arrependimento, pelo perdão e, sobretudo, pelo amor. Porque, no final, talvez a maior cura não seja aquela que simplesmente nos faz deixar de sofrer. É aquela que nos transforma em pessoas melhores depois da dor”.
