José Abrão
Goiânia – Promovido pelo jornal A Redação nesta quinta-feira (17/9), a 1ª edição do Arte Pensante – Roda de Conversa sobre Políticas para o Setor Artístico, realizada na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia, reuniu nove gestores culturais e artistas atuantes em diferentes áreas.
Entre os convidados, o cineasta e cientista ambiental Pedro Novaes lembrou que “o audiovisual tem uma questão específica que é o conflito de base entre ser arte e ser indústria”, por ser mais caro de produzir e ter uma cadeia de produção muito complexa. “É algo que acaba permeando e distorcendo todas as políticas públicas, porque a gente não consegue atender bem nenhuma das duas coisas”, afirmou, sem atender bem nem o cinema experimental nem o cinema mais comercial.
“É superimportante – neste momento, especificamente – a gente ter a oportunidade de conversar um pouco sobre cultura e políticas culturais”, afirmou. Novaes lamentou a forma como a polarização política e as notícias sobre escândalos monopolizam e também imobilizam a pauta política no Brasil, impedindo discussões relevantes sobre temas importantes, inclusive sobre a cultura.
O cineasta apontou, na sua percepção, o engajamento político dos artistas diante do cenário político do Brasil: “tenho a sensação de que isso se volta contra nós”. Algo que ele percebeu como uma “politização excessiva” das artes. Ele também criticou o “sudestinismo” da arte no Brasil: “o eixo Rio-SP tem uma visão muito problemática do que é o Brasil”. Ao seu ver, isso leva a um tipo de “fratura” no setor cultural brasileiro. “Temos que ser mais agressivos no enfrentamento dessa barreira e existem brechas pra gente fazer isso”, avaliou.
