Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – O livro “A rebelião”, que revisita a semana em que o promotor de Justiça Haroldo Caetano viveu como refém durante a violenta rebelião no Centro Penitenciário de Atividades Industriais de Goiás (Cepaigo) em março de 1996, episódio liderado pelo detento Leonardo Pareja e que expôs, de forma inédita, os limites do sistema prisional e do próprio Estado, já está na Biblioteca Irmãos Oriente, do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A entrega do exemplar à bibliotecária Meire Abreu foi feita pelo próprio autor na visita ao IHGG na manhã desta quarta-feira, dia 12.
O autor aproveitou para elogiar a hemeroteca digital do Instituto, ao ressaltar que a utilizou na pesquisa ao jornal “Diário da Manhã” da época para colher informações para elaborar o livro, de memórias, resgatando aquele episódio. “Agradeço do dr. Jales Mendonça pela acolhida e pelo cuidado como tem administrado o Instituto, hoje um valioso patrimônio dos goianos”. A obra circula com o selo da Editora Jandaira.
O escritor constrói uma narrativa que articula memória e análise para reconstituir os dias de tensão em que autoridades foram feitas reféns, resultado de uma série de falhas estratégicas na segurança. A obra marca sua estreia na literatura memorialística, após uma trajetória consolidada no estudo do sistema penal e da saúde mental. O episódio ocorreu no então Cepaigo, hoje Penitenciária Odenir Guimarães.
Ele fez amplo levantamento documental, pesquisando em reportagens da época, arquivos televisivos, publicações oficiais e produções audiovisuais, que foram cruzados para garantir rigor e fidelidade histórica ao relato. A obra oferece um testemunho intenso sobre violência, poder e sobrevivência. “O resultado que aqui se apresenta nasce da memória, da pesquisa e do cuidado em costurar os fatos. As lembranças daquele período ainda hoje me alcançam com clareza desconcertante”, afirma o autor.
O livro também dialoga com a linha da Editora Jandaíra, voltada a temas sociais e políticos urgentes, como a crise estrutural do sistema prisional brasileiro, que atualmente abriga mais de 750 mil pessoas privadas de liberdade, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); e se insere como uma contribuição relevante ao debate público sobre o sistema carcerário e seus desafios contemporâneos.
Autor
Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (1992), mestre em Ciências Penais pela Universidade Federal de Goiás (2003) e doutor em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (2018), Haroldo Caetano é promotor de justiça do Ministério Público do Estado de Goiás.
É autor dos livros: “Execução Penal” (Porto Alegre: Magister, 2006); “Manual da Execução Penal” (Campinas: Bookseller, 2001); “Embriaguez & a Teoria da Actio Libera in Causa” (Curitiba: Juruá, 2004); “Ensaio sobre a pena de prisão” (Curitiba: Juruá, 2009); e “Loucos por liberdade: Direito Penal e Loucura” (Goiânia: Escolar Editora, 2019). Premiado pelo Instituto Innovare, em 2009, como vencedor do VI Prêmio Innovare na categoria Ministério Público com o Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (PAILI).
