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(Foto: divulgação)

Do pó viemos, ao pó voltaremos

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09.08.2026 - 08:30:58

Prosseguindo ao assunto do texto anterior sobre água, terra, fogo e ar, aproveitarei o ensejo do Dia dos Pais para um relato afetivo cheio de espiritualidade e natureza.

Há quatro anos, papai desencarnou e, a seu pedido, providenciamos o crematório de seus restos mortais, restando nos apenas dois quilos e meio de cinzas ásperas. Um tipo de farofa gris, tal como farelos de ossos, pronto a adubar a terra. Também, a seu pedido, tornou a reivindicar sua liberdade, mas dessa vez de uma forma diferente, literalmente de outra forma, em forma de pó. Pediu que o espalhássemos nos lugares em que ele viveu e conviveu com sua família. No jardim de sua casa, na sua fazenda, no Jardim Potrich. Foi no fundo do meu quintal, ainda maltrapilho, rejeitado e totalmente abandonado, que joguei minha parte de suas cinzas. Ali, entre entulhos, britas, areia, folhas e galhos secos, finalmente me despedi.

E, um dia, de repente, sem muitos cuidados ou atenção, brotou um solitário e singelo singônio, uma planta tropical originária da América do Sul. O povo diz por aí que é mato, mas o renomado Roberto Burle Marx tinha outros planos para esse ‘matinho’ e lhe concebeu um lugar de destaque na ornamentação do paisagismo brasileiro.

O singônio simboliza transformação, adaptação e crescimento pessoal. Suas folhas mudam de formato conforme a planta envelhece, o que representa a evolução constante e a capacidade de superar as fases da vida.

Ali, num solo ermo (terra), seguido de queimadas domésticas (fogo), à mercê de ventos (ar) e chuvas (água), papai renasceu das cinzas.

O singônio, que apareceu discreto entre a brita e a areia, hoje transpassa o muro e faz cerca viva à altura da janela do segundo andar. Reafirmar que Deus é a Natureza parece quase um pleonasmo, pois, mesmo que o chamem de diversos nomes: Pai Eterno, Zeus, Rá, Jáh, Alá, Maomé, Tupã, Oxalá, Buda, Shiva, Lord, a força suprema do amor divino será sempre manifestada na singeleza dos fenômenos da Natureza.

Seja no cotidiano ordinário do crescer, desenvolver, morrer e renascer, seja no ciclo sagrado do que é fértil, vivo e presente na ‘raiz’ da memória genética. Um poder invisível que a Ciência consegue explicar, em parte, e que, ironicamente, o convicto Carl Sagan propagou em letras garrafais na Cosmologia, assim como está escrito numa passagem da Bíblia:

“Somos feitos do pó das estrelas” e, um dia, ao pó voltaremos (Gênesis 3:19).

Feliz Dia dos Pais

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por Tatiana Potrich

Um comentário

  1. Reflexão pertinente que nos conduz a refletirmos : viemos do Pó e nele nos transformaremos.
    Vivamos o Hoje

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