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(Foto: divulgação)

Exposição ”Expressões”, do artista Siron Franco é prorrogada até o dia 30 de agosto em Goiânia

Entrada é gratuita

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31.07.2026 - 16:55:20

A Redação

Goiânia – A exposição do artista Siron Franco “Expressões” foi prorrogada até o dia 30 de agosto, na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia.  A mostra alcançou um recorde de público com mais de 20 mil visitantes. O público que não conseguiu prestigiar a exposição ainda terá a oportunidade de conhecer as mais de 100 obras de sua emblemática carreira. A entrada é gratuita.

O artista, que sempre foi inconformado com as injustiças sociais, produziu ao longo de sua trajetória quadros poéticos e extremamente impactantes entre as décadas de 1960 e 1980, e que estão disponíveis para apreciação. Na oportunidade, o público também poderá conhecer ainda obras mais atuais produzidas em 2025, como Imigrantes. A mostra transparece a visão do artista diante de acontecimentos sociais em Goiás, no Brasil e no mundo e possui entrada gratuita e totalmente aberta ao público com visitação de segunda a domingo, das 9h às 17h.

Expressões é organizada com obras que retratam marcos históricos como o período da ditadura militar e o acidente com o césio 137 num ambiente que traz referências à cápsula do material radiológico, como a cor prata do pó durante o dia e a luz azul refletida por ele à noite. Ao transformar a tragédia em matéria artística, Siron Franco cria uma poética marcada pela ideia de contaminação e permanência do trauma. Em vez de oferecer respostas ou fechamento, as obras mantêm viva a ferida da memória, recusando o esquecimento e convidando o público a encarar esse passado incômodo.

É importante destacar o papel de Siron Franco na discussão sobre o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear. O artista criou a série “Césio – Rua 57” com o objetivo de arrecadar recursos para ajudar as vítimas por meio da venda das obras. Mais do que registrar em imagens um episódio que hoje integra a memória histórica do País, Siron também mobilizou outros artistas em um movimento contra o preconceito sofrido por Goiânia após a tragédia do césio 137. À frente de uma passeata pela Avenida Goiás até a Praça Cívica, o pintor articulou uma reunião com o então governador Henrique Santillo, para debater medidas de amparo às vítimas. A iniciativa ainda levou nomes como Lucélia Santos a Goiânia, ampliando o debate sobre a política nacional de radiação.

Para o idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim, o espaço dedicado ao Césio-137 carrega uma carga emocional muito forte para o público goiano, já que se trata de uma memória ainda viva na cidade e no Estado. “Uma das questões mais comoventes desse conjunto de obras é perceber como Siron incorporou a terra de Goiás em algumas dessas telas, justamente em um momento em que o Estado era visto com desconfiança pelo restante do País, como se tudo aqui estivesse contaminado. Há um gesto profundamente simbólico nisso: transformar a dor coletiva em arte, memória e resistência. O objetivo da mostra é que o visitante não saia indiferente. É uma exposição para ser vivida com profundidade, para que as pessoas possam revisitar a nossa história e, de alguma maneira, sair dali transformadas”, afirma.

Densidade temática

Além do césio 137, a exposição Expressões também apresenta uma instalação sobre feminicídio, cercada pela série de Madonas criada por Siron nas décadas de 1970 e 1980. A proposta intensifica a experiência sensorial do público e amplia a reflexão sobre a violência e as desigualdades vividas pelas mulheres na sociedade. Ao revisitar a figura da Virgem Maria em releituras críticas, Siron substitui a imagem tradicional de pureza e sacralidade por representações expressionistas, muitas vezes disformes, que funcionam como denúncia social, crítica política e símbolo de fragilidade.

A obra tira o visitante da posição de observador passivo e o coloca diante de uma experiência que envolve o corpo e as emoções. Assim, Siron Franco reafirma sua arte como espaço de denúncia, reflexão e urgência. Vale ressaltar que todas as obras expostas têm grande relevância dentro de sua trajetória, já que pertencem ao período em que o artista, ainda muito jovem, começou a ganhar projeção nacional e internacional.

A exposição “Expressões”, dedicada à obra de Siron Franco, percorre temas como memória, violência e os símbolos que ajudam a construir a experiência brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de produção, o artista desenvolveu uma linguagem própria, em que a pintura deixa de apenas representar a realidade para provocar reflexão e expor tensões históricas ainda abertas.

Muito além de uma retrospectiva tradicional, a mostra reúne mais de cem obras selecionadas por sua força expressiva. O percurso conecta diferentes fases da carreira de Siron sem seguir uma ordem cronológica rígida. Trabalhos do início da trajetória, como Arca de Noé e Pietà (1961), produzidos quando ele tinha apenas 14 anos, convivem com obras recentes, como Imigrantes (2025). Essa aproximação evidencia não uma evolução linear, mas a permanência de um olhar atento às fraturas e desigualdades da sociedade brasileira.

Desde o período da ditadura militar, Siron Franco consolidou-se como uma das vozes mais marcantes da arte brasileira ao transformar experiências de repressão, silêncio e violência em linguagem visual. Sua obra não apenas registra esses acontecimentos, mas os mantém vivos, estabelecendo um diálogo contínuo entre passado e presente. Em “Expressões”, a memória aparece como algo ativo, que segue reverberando no imaginário político e social do País.

A exposição também se estrutura a partir de tensões centrais da cultura brasileira. Entre elas está o sincretismo religioso, apresentado não como uma simples fusão harmoniosa de crenças, mas como um campo marcado por disputas simbólicas, relações de poder e silenciamentos históricos. Nesse contexto, a espiritualidade surge como um território crítico, instável e profundamente político.

Outro eixo importante é a desigualdade social. Nas imagens e instalações de Siron Franco, a exclusão deixa de ser um conceito abstrato e ganha dimensão humana e sensível. As obras aproximam o espectador dessas realidades e provocam uma reflexão sobre o lugar de cada indivíduo dentro das estruturas sociais que produzem essas desigualdades.

Assim, “Expressões” se reafirma como um encontro entre imagem, memória e conflito. Mais do que revisitar a trajetória de um artista, a mostra propõe uma leitura das contradições que atravessam a experiência brasileira. Entre marcas do passado e questões ainda urgentes no presente, a obra de Siron Franco reafirma a arte como espaço de resistência, reflexão e enfrentamento do silêncio.

O recorte da exposição evidencia a arte como linguagem de expressão estética e social, colocando em pauta temas universais como fome, desigualdade, violência contra a mulher e resistência cultural.

Segundo Siron, a proposta da exposição é promover uma ação de grande relevância simbólica e formativa, capaz de ampliar o repertório crítico e cultural do público. “A nossa ideia é trazer reflexões ávidas sobre fatos que aconteceram na história e que ainda reverberam na sociedade, por meio da arte. E é muito gratificante poder mostrar para as pessoas obras que têm muito a dizer sobre a cultura, identidade e história goiana e brasileira e mundial, além de questões sociais urgentes e necessárias”, destaca.

Para o idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim, “Siron não produz uma arte apenas contemplativa. Sua obra provoca, denuncia, emociona e obriga o espectador a refletir. Temas como violência, intolerância, exclusão, feminicídio, autoritarismo e desigualdade continuam absolutamente presentes na contemporaneidade. Por isso sua produção permanece tão viva e necessária. Existe também algo muito singular em sua linguagem: ele consegue unir força estética e profundidade humana de maneira muito autêntica. A obra de Siron não envelhece porque fala da condição humana. E enquanto existirem dores, conflitos, medos e esperanças, ela continuará atual”, conclui.

Serviço:
Exposição Expressões é prorrogada até o dia 30 de agosto
Data: até 30 de agosto de 2026
Visitação: de segunda a domingo, das 9h às 17h
Local: Vila Cultural Cora Coralina – Rua 23 com rua 3, Setor Central – Goiânia (GO)
Entrada gratuita

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por Taíssa Gomes

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