Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – O último livro do senador Domingos Netto de Vellasco, de 1960, “Nova China”, terá nova edição lançada na sexta-feira, dia 10, às 9h, na Casa Rosada de Goiânia, sede do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A obra lembra os encontros do político goiano com Mao Tsé-tung, “revela uma faceta pouco divulgada do ditador na poesia e confessa sua admiração pelo que estava se fazendo na China, no sentido de elevar e dignificar o homem como criatura de Deus”, como escreveu o economista Luís Estevam.
A iniciativa do lançamento é da Fundação João Mangabeira, criada em 1990 com o objetivo de promover a formação política e a formulação de políticas públicas para o Partido Socialista Brasileiro. A obra integra a Coleção Equidade é Liberdade, projeto editorial da Fundação, coordenada pelo economista Einstein Paniago, presidente da PSB em Goiás.
No livro, defende o planejamento chinês como um grande salto para a frente na luta contra a fome. Faz um estudo sobre o sistema asiático de cooperativas e sobre a miséria e o latifúndio. Conclui que a China “não é, nem o paraíso e nem o inferno”, conforme noticiado pela mídia da época. Esclareceu que não estava fazendo propaganda comunista, mesmo porque admira também “as instituições do povo americano”.
Autor
Domingos Netto de Vellasco nasceu em 1899 na Cidade de Goiás, onde fez seus primeiros estudos no Liceu e se mudou para o Rio de Janeiro, para estudar no Colégio Militar do Rio de Janeiro, passando a viver nos quartéis cariocas. Na Escola Militar de Realengo, o aspirante a oficial amargou uma triste lembrança: foi vítima de violento trote, por parte dos veteranos da cavalaria do Exército, que o aleijou por toda a vida. “Obrigado a servir de montaria, andando de quatro, foi cavalgado pelos seus colegas de farda por longo período de tempo. Com isso, deslocou a rótula do joelho esquerdo e enfrentou grave problema na coluna que o obrigou a andar de bengala o resto da vida. Apesar disso, não registrou queixa e nunca reclamou do episódio”, relatou Estevam.
No posto de tenente, deu baixa nos quartéis em 1921, participou do movimento tenentista no ano seguinte e, dez anos depois, foi o comandante das tropas goianas que lutaram contra os paulistas, na Revolução de 1932, operando na região sul do Mato Grosso.
Ele se formou em Direito na Faculdade de Niterói e começou a atuar como jornalista na imprensa fluminense, colaborando também nos jornais goianos. De início, criticava a oligarquia dos Caiado em Goiás e apoiava a Aliança Liberal tomando parte na Revolução de 1930. Com a vitória dos revolucionários, poderia ter sido indicado para interventor no Estado de Goiás. Para isso, contava com apoio político no âmbito federal. Sempre preferiu o caminho democrático, conforme relatou posteriormente. Mesmo assim, aceitou ser nomeado Secretário de Segurança e Assistência Pública no governo do interventor Pedro Ludovico.
Na década de 1930 continuou participando da movimentação política nacional, militando principalmente em Goiás. Naquele período, bastante incerto e conturbado, foi eleito deputado federal em 1934. “Todavia, acusado de apoio ao comunista Luiz Carlos Prestes, acabou sendo detido em 1936 e amargou quase um ano na prisão por perseguição de Filinto Müller, a mando do presidente Getúlio Vargas”, relatou Estevam.
Ele próprio elaborou sua defesa jurídica e foi libertado em 1937, ano em que o Legislativo foi extinto com a imposição do Estado-Novo. Cassado, ficou quase uma década no Rio de Janeiro trabalhando no mercado imobiliário. Com o fim do Estado-Novo em 1945, fundou o Partido Socialista Brasileiro e se elegeu novamente deputado federal por Goiás.
Nas eleições municipais de 1947, o PSB elegeu, para prefeito de Catalão, João Netto de Campos, primo de Vellasco. Apesar de ser um partido novo, em formação, alcançou uma vitória esmagadora naquele município.
Domingos Vellasco casou-se, em 1921, com a vilaboense Irisbella Rosa Marques de Paula, conhecida como Dona Belinha, que sempre o acompanhou nos projetos e nas viagens que realizou.
Foi eleito senador da República pelo Estado de Goiás. Sua presença no Senado, de 1951 a 1959, ganhou destaque nacional e internacional. Passou a divulgar o socialismo em todos os lugares. Esteve com o papa Pio XII em Roma e com Mao Tsé-tung na China, por diversas vezes, além de estadia em vários outros países. No Chile, ganhou monumento público, em sua homenagem, com a legenda “o Senador das Américas”.
Com o fim de seu mandato no Senado, elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro, mas abdicou da representação. Foi nomeado ministro do Supremo Tribunal do Trabalho, o último cargo público que ocupou.
Domingos Vellasco faleceu em 1973 no Rio de Janeiro.
