A Redação
Goiânia – O artista visual goiano Luiz Mauro participa da 16ª Bienal Internacional de Curitiba, realizada na capital paranaense de 16 de junho a 15 de novembro. Sob o conceito “Limiares”, as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda propõem reflexão sobre as zonas de transição que atravessam o mundo contemporâneo e as novas formas de pensar e fazer arte. A Bienal reúne obras de mais de 300 artistas, de 38 países, dos cinco continentes, que transitam entre materialidades, linguagens e disciplinas, investigando relações entre natureza e tecnologia, memória e futuro, ancestralidade e inovação. De Goiás, também participam da mostra os artistas visuais Evandro Soares e Iêda Jardim.
A obra de Luiz Mauro está no mesmo núcleo da artista Shiharu Shiota, japonesa radicada em Berlim e artista homenageada da mostra. Luiz Mauro levou trabalhos inéditos, sob o título “Romaria. Topografia da Memória, do Caminho do Divino, da Fé e da Dor”, que acompanha uma romaria de carros de boi que sai de Damolândia (GO), cidade onde o artista viveu a infância, em direção a Trindade, local onde foi batizado em cumprimento a uma promessa feita por seu pai. Ao longo desse percurso, a obra aborda temas como fé, cultura popular, saberes tradicionais, ex-votos, origem e território. O trabalho ganha forma em diferentes materiais e suportes, como pinturas a óleo sobre linho, couro marcado com ferro de boi, tiradeiras de couro e brochas suspensas em chifres de boi.
Mais do que registrar uma tradição, a obra reflete sobre as marcas deixadas pela fé, revelando que o caminho da devoção também é atravessado por esforço, entrega, sacrifício e resistência — tanto para os romeiros quanto para os animais que participam da jornada.
A participação do artista marca uma nova fase em sua trajetória, retornando à pintura, seu lugar de origem, depois de se dedicar por 14 anos ao trabalho em papel, com abordagem na história da arte.
Os conceitos da Bienal
De acordo com as curadoras da mostra, embora haja forte presença da inteligência artificial e da virtualidade, há também uma significativa presença material. “A seleção buscou obras que expressam essa condição transitória, tanto em suas propostas quanto em suas linguagens. São trabalhos que operam em zonas de cruzamento entre natureza e tecnologia, corpo e algoritmo, memória e simulação, presença e virtualidade”, teoriza Adriana em entrevista à revista ARTE! Brasileiros.
“O desafio atual consiste em integrar os aprendizados adquiridos no ambiente digital sem perder a dimensão humana, espacial e afetiva da exposição presencial. Institucionalmente, isso significa fortalecer redes internacionais, ampliar programas educativos e desenvolver formatos híbridos que dialoguem com públicos diversos”, complementa Tereza.
