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Conselho Federal de Medicina proíbe uso de PMMA para fins estéticos no Brasil. (Foto: Reprodução)

Conselho Federal de Medicina proíbe uso de PMMA para fins estéticos no Brasil

Única exceção é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids

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29.05.2026 - 22:21:50

São Paulo – O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu nesta sexta-feira (29/5), o uso de polimetilmetacrilato, o PMMA, para finalidades estéticas ou reparadoras. O PMMA é utilizado como substância preenchedora em procedimentos estéticos.

A única exceção permitida pelo CFM é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, que deverá ser realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.

Segundo o CFM, a resolução proibindo o PMMA será publicada na próxima terça-feira, 2 de junho, enquanto na segunda-feira, dia 1º, uma entrevista coletiva sobre a questão será concedida pelo presidente do órgão, José Hiran da Silva Gallo, e pela relatora da resolução, a cirurgiã plástica e conselheira federal Graziela Bonin.

O CFM já havia pedido a proibição do PMMA à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anteriormente. O PMMA é um tipo de plástico que possui diversas aplicações, da indústria até a medicina. Nesse campo, costuma ser usado como gel para preencher pequenas áreas nas camadas mais superficiais da pele (preenchimento cutâneo).

A Anvisa indica que a dosagem utilizada deveria ser aquela estritamente necessária para a correção das irregularidades e o procedimento deveria ser realizado exclusivamente por profissionais médicos treinados.

O órgão regulador estabelecia indicações claras dos locais do corpo onde as aplicações podem ser feitas e a concentração exata da substância que pode estar contida em cada mililitro das injeções. Para preenchimentos subcutâneos, isto é, em camadas mais profundas da pele, era necessário que o profissional fosse registrado na Anvisa, pois o produto é considerado de máximo risco.

Mortes

Na última terça-feira, 26, uma mulher morreu em São Paulo após passar por um preenchimento com PMMA na região dos glúteos e das coxas no dia anterior.

Outros casos de mortes relacionadas ao PMMA já haviam sido registrados no Brasil antes, como o da influenciadora digital e modelo fotográfica Aline Maria Ferreira da Silva, que morreu aos 33 anos em julho de 2024.

Outro caso famoso é o da modelo Andressa Urach, que ficou entre a vida e a morte em 2014 após usar o PMMA e outra substância, o hidrogel, para preenchimento, mas conseguiu se recuperar.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o uso da substância pode causar reações de curto prazo, como edemas locais, processos inflamatórios, reações alérgicas e formação de granuloma (tipo de inflamação causada pelo sistema imunológico), e também tardias, muitos anos após a realização da injeção.

Quais os riscos do PMMA?

Em entrevista concedida ao Estadão em 2024, a cirurgiã plástica Marcela Cammarota, membro do conselho científico e porta-voz da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), disse que a associação é estritamente contra o uso do PMMA para fins estéticos.

Ela explica que, na medicina, a substância é usada na forma de microesferas, que devem ter um tamanho específico para que o organismo não a rejeite. Essa particularidade, por sua vez, exige muita cautela de quem realiza o procedimento.

Se forem muito pequenas, podem ser “engolidas” pelas células, fazendo com que o corpo reconheça o PMMA como uma substância não compatível, levando os anticorpos à atacarem o local do preenchimento. Se forem muito grandes, podem causar inflamações e o corpo tentará expulsá-lo.

Ela destaca ainda que essas reações podem se tornar crônicas, causando problemas que serão permanentes até que a substância seja removida do corpo. A remoção, porém, não é uma tarefa fácil. O procedimento pode exigir a retirada também do próprio tecido em que o gel está infiltrado, causando lesões e deformidades.

O uso de doses altas de PMMA também pode levar à necrose, posto que o plástico pode acabar comprimindo vasos sanguíneos, levando à morte das células.

Ainda podem acontecer infecções. Durante a aplicação, bactérias que estão na camada externa da pele podem penetrar no organismo e “grudar” no material do PMMA. Dessa forma, o uso de antibióticos não consegue tratar a contaminação efetivamente. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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