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Igreja de São José da Boa Morte (Foto: Igor Holderbaum)

Conheça as fases da construção da igreja de São José da Boa Morte e a inédita obra de conservação em curso

Consolidação é feita pela Elysium Sociedade Cultural

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11.04.2026 - 10:30:48

Adriana Marinelli

Goiânia – Erguida a partir de 1734, a Igreja de São José da Boa Morte, no interior do Rio de Janeiro, guarda uma história marcada por diferentes fases de construção, sendo algumas improvisadas, outras mais estruturadas, que atravessaram mais de um século. Tombada desde 1989 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro, a edificação passa, somente agora, pela primeira vez, por obras de conservação e consolidação.

A iniciativa faz parte de um projeto amplo de recuperação das ruínas e implantação de um novo uso para o espaço, conduzido pela Elysium Sociedade Cultural, em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu e a Nova Transportadora do Sudeste, por meio de Lei de Incentivo à Cultura.

O que muita gente não sabe é que a primeira versão da igreja era extremamente simples. Em 1734, sua estrutura inicial foi construída em pau a pique, técnica tradicional feita com barro e madeira. Anos depois, em 1758, o local já contava com pia batismal, sinal de que a comunidade começava a se consolidar ao redor da capela.

Pouco tempo depois, em 1768, foi benzido o cemitério, inicialmente com seis sepulturas. “Em 1772, outras seis foram autorizadas. Parte dos enterramentos acontecia dentro da própria igreja, prática comum na época. Quanto mais próxima do altar a sepultura, maior o prestígio social do falecido e, segundo a crença, maiores seriam suas chances de salvação no juízo final”, destaca a historiadora Rachel Wider, especializada em patrimônio cultural e colaboradora da Elysium.

Primeiras reformas

Em 1794, a situação da antiga capela já preocupava. “Relatos do visitador eclesiástico Monsenhor Pizarro apontavam a necessidade de reforma. É desse período, provavelmente, o início da construção em pedra e cal da Capela-Mor, com orçamento estimado em 800 mil réis, algo em torno de R$ 20 mil em valores atuais”, pontua a historiadora.

Ainda naquele ano, a igreja já era considerada uma “Capela Curada”, ou seja, podia contar com um sacerdote residente, embora ainda sem autonomia plena.

Essa condição mudaria décadas depois. Entre junho e agosto de 1834, a Assembleia Legislativa autorizou sua elevação à condição de Igreja Paroquial, ampliando sua importância e autonomia. “Um detalhe curioso registrado na época revela o estado do templo: um dos artigos determinava que a igreja só receberia os devidos provimentos quando o povo a tivesse preparado com a “devida decência”, indicando que sua conservação já era precária”, cita Rachel.

Foi nesse mesmo período que teve início a construção do restante da nave, desta vez em tijolo maciço. A obra, no entanto, não parou por aí. A partir de 1846, comissões foram formadas para organizar novas reformas. Foi quando a igreja recebeu seus últimos revestimentos em azulejos e elementos decorativos.

Segundo análises documentais e vestígios históricos, de acordo com Rachel Wider, essas intervenções se estenderam até cerca de 1870, ou seja, mais de 130 anos após o início da construção original.

Conservação

Apesar de toda essa longa trajetória, a igreja nunca havia passado por uma obra estruturada de conservação. Pelo menos até agora.

O atual projeto conduzido pela Elysium marca a primeira intervenção voltada à consolidação das ruínas e preservação do patrimônio histórico. A proposta, além de recuperar o que restou, também dá um novo uso ao espaço, mantendo viva a memória de um dos mais antigos templos da região.

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por Adriana Marinelli

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