Eu sempre me comprometi com o Jornal ARedação a não me posicionar politicamente em minha coluna Curadoria Afetiva, para não ferir relações nem suscitar interpretações equivocadas acerca do que penso ou acredito, embora eu permaneça aberta e flexível a argumentações coerentes que possam me convencer do contrário.
No entanto, há um assunto no qual preciso penetrar mais fundo, não no fundo de um trocadilho mal-intencionado, mas no profundo do inconsciente coletivo, esse território que guarda a benevolência voluntária comum a cada um de nós.
Entre estudos e pesquisas sobre o paisagista Roberto Burle Marx, referência brasileira para o “Projeto Cerradim”, raramente se encontrou, em sua bibliografia pessoal, profissional ou cultural, qualquer destaque para sua preferência sexual. Embora o mundo inteiro desconfiasse desse detalhe íntimo (desse dado discreto ou secreto), essa informação jamais foi a balança utilizada para medir seu talento, sua dedicação ou sua ousadia.
Trabalhando há pouco mais de um ano com crianças, pude constatar algo curioso nessa investigação. Todos nós, na mais terna infância, somos criadores, inventores e admiradores da arte. Sim, da Arte, essa Arte universal, que não carrega gênero, assim como a primeira fase da criança: um serzinho criativo que, em sua solitude, produz uma percepção única do mundo e da humanidade.
Coincidentemente, na semana que passou, o amigo e artista Tarcísio Veloso publicou um vídeo exibindo o livro comemorativo dos 40 anos do Criança Esperança. Trata-se de uma belíssima edição que reúne registros de projetos sociais bem-sucedidos e promove a divulgação de artistas que retratam o tema em suas mais variadas camadas sociais, culturais e econômicas. Que satisfação poder ter acesso a informações compartilhadas por pessoas próximas, que amplificam o sentimento de benevolência na sociedade.
Independente de preferências sexuais, escolhas espirituais, gostos refinados, seja da mais alta gastronomia, ou de um podrão do pit dog da esquina; o propósito do bem, da discrição, do respeito recíproco e da postura ética deveriam ser prioridade entre nós, antes de qualquer bandeira de militância política, social ou religiosa.
Mas entendam bem, o bem não significa realizar desejos, proporcionar prazeres, se sacrificar em nome de ‘Deus’. O bem, aqui, é a virtude, é o viver em conformidade com a razão e a Natureza, é o ‘bem’ educado mesmo. Por isso, posso testemunhar que o “Projeto Cerradim” e nossas investigações acerca do legado de Burle Marx, das crianças típicas e atípicas e do tempo rei, que rege a Natureza, foram, são e continuam sendo maestros deste inconsciente coletivo que nos uniu num propósito mútuo: a benevolência, nossa contribuição social através da arte e da natureza!
E você, como coloca em prática a sua benevolência? Me conta!
