Definitivamente uma das coisas que mais gosto na vida é comer. Eu praticamente amo tudo que existe no departamento comestível, exceto talvez por jiló. Digo talvez, porque dependendo da fome e do modo de preparo até sou capaz de encarar o amargoso.
Sendo assim, acho muito injusto comida engordar. Costumo dizer que ao invés dos quilos a mais, o alimento deveria fazer crescer o cabelo. Quando estivesse grande o bastante, bastaria cortar o mal pela raiz. Já emagrecer requer muito mais sofrimento e abdicações. Não é tarefa fácil, especialmente para uma glutona como eu.
Uma das coisas que mais me irritam na vida é sair para almoçar ou jantar com um grupo de amigas e as mais magrinhas olharem para aquele cardápio cheio de delícias e pedirem em alto e bom som, que soa praticamente como uma acusação contra você: salada.
E você lá paquerando o Fettucine Alfredo acompanhado de um Filé Chateaubriand. E ainda olhando de soslaio para o menu de sobremesas. E nada de abacaxi. A vontade é de atacar, no mínimo, um brownie com sorvete ou similar.
Na verdade, eu adoro comer e me orgulho disso. A Rita Lee já disse uma vez que não gosta de comer. Tenho zero de inveja dos inapetentes. Acho um desperdício de vida, sinceramente. Afinal, comer é o prazer que mais praticamos no dia a dia, salvo se você é um ator ou atriz pornô.
Se tenho desprezo pelos inapetentes, não posso dizer o mesmo do Magro de Ruim. O grande Luiz Fernando Veríssimo já falou sobre esses sortudos genialmente em uma crônica e eu sou obrigada a concordar. Mas na verdade, são realmente poucos os 'magros de ruim' de verdade. Porque tem gente que finge ser um Magro de Ruim, mas na verdade come igual a passarinho. Aí não vale.
Tipo essas modelos esquálidas que despejam nas capas de revista: “Eu como de tudo, adoro picanha com farofa, sou chocólatra e chegada numa cervejinha.” Eu truco. Aposto que na hora que chega o couvert cheio de pãezinhos maravilhosos, essa falsa Magra de Ruim joga água em cima do pão para não cair em tentação. Reza a lenda que a atriz Uma Thurman tem esse hábito.
Bom, eu sinceramente sou capaz de começar uma dieta de manhã e terminá-la na hora do happy hour. No primeiro telefonema amigo, já despenco para o boteco mais próximo. Se tem uma coisa que me falta nessa existência é força de vontade, especialmente quando se trata de beber e comer.
E vamos combinar, tem coisa mais prazerosa que sentar com os amigos no fim de tarde calorento de Goiás, pedir uma cerveja gelada (Goiânia é a capital mundial da cerveja gelada), ficar decidindo qual petisco pedir, se um pastelzinho (quando não vem aquela magra desmancha-prazeres gritando: fritura não!) ou uma lingüiça de porco apimentada? Conversando uma abobrinha aqui, contando um caso acolá e comendo e bebendo como se não existisse amanhã. Outro dia escutei de uma personagem na televisão que ela preferia ser magra do que ser feliz. Eu já fiz minha opção.