Surgida como povoado em 1810 e emancipada em 1907, a cidade de Campinas, em Goiás, foi incorporada à nova Capital, Goiânia, em meados da década de 1930, e se tornou um de seus principais bairros, com intensa atividade socioeconômica e política. Bairristas, os moradores de Campinas sempre trataram o bairro com deferência, tinha uma vida comunitária de grande participação e um comércio expressivo.
Essa autonomia do bairro, no início da nova capital, foi lhe prejudicial, pois os gestores públicos não lhe deram a devida atenção, deixando de retribuir o que ofereceu à nova cidade e de investir na região.
A primeira grande obra foi iniciativa do então secretário de Educação e Saúde do Estado (1947-1950), médico Hélio Seixo de Brito, responsável por transformar, ampliar e renovar a instrução pública em Goiás. Em 1948, reestruturou o ensino, criando três colégios – um na cidade de Goiás, para compensar a retirada do Liceu da antiga Capital, outro em Goiânia e o terceiro no bairro que originou a Capital e era o mais populoso.
Seu primeiro nome foi Ginásio Estadual de Campinas.
Sua instalação, como registra o livro “Cidadão e homem público”, coletânea de artigos e depoimentos organizada pelo ex-vereador Hélio Seixo de Brito Júnior, foi uma festa “das mais gratificantes, pois era a nossa resposta aos apaixonados adversários políticos, que não desejavam o meu sucesso na importante Secretaria da Educação. Para eles – demagogicamente – Campinas não comportava um estabelecimento de ensino daquele porte. A resposta está aí no tamanho do Colégio ‘Pedro Gomes’ e no benefício enorme que vem fazendo. É a prova de que estávamos certos e, por isso, o meu silêncio às críticas desonestas e insinceras”, afirmou Hélio de Brito, no livro lançado em 1999, quando completou 90 anos.
No final dos anos 1950, ao expandir suas atividades acadêmicas,, teve a denominação alterada para Colégio Estadual Professor Pedro Gomes, a partir de quando assumiu protagonismo na área, passando a ocupar espaços.
De acordo com a professora Maria Conceição da Paixão (dona Zizi), que o dirigiu, foi o maior colégio público de seu tempo no Brasil, com mais de quatro mil alunos nos anos 1960, ofertando um ensino de qualidade, com professores preparados e proposta pedagógica que o diferenciava dos demais, que marcaram essa época.
O Colégio marcou gerações em Goiânia, aproximou seus alunos e ainda hoje muitos grupos se reúnem, para falar dos períodos em que ali estudaram, como era a convivência entre eles, as conquistas do período e sobre o que a escola representou em suas vidas.
Mais recentemente, por iniciativa do ex-deputado Wander Arantes, que estudou no colégio, foi criado o grupo no WhatsApp ‘Somos Pedro Gomes’.Formado por ex-alunos dos anos 1950 e 1960, bem sucedidos em suas opções profissionais, tinham em comum a preocupação com a situação do colégio, quando decidiram se organizar para resgatá-lo e lhe dar a devida dimensão. Conversaram, discutiram as muitas possibilidades, mantiveram contatos com autoridades da área educacional e do Governo do Estado, e lutaram, sem êxito.
Não perderam o entusiasmo e nem a disposição de continuar lutando por mudanças, pela recuperação do grande colégio público que tiveram, das boas lembranças e de um grande espaço público para o bairro de Campinas.
Agora, ficaram interessados em retomar essa discussão e os contatos, com a entrega, pelo Governo do Estado, do novo Liceu de Goiânia, que é de sua época. Todo reformado, com proposta acadêmica reformulada, novas atividades e novos equipamentos, vai se tornar novo ponto obrigatório de visitas da cidade, charmoso e bonito.
Campinas também merece esse presente.
O grupo ‘Somos Pedro Gomes’ quer dialogar e buscar idêntica solução.
Chegando aos 78 anos, a escola foi uma oportunidade para milhares de pessoas terem uma formação para o exercício da cidadania e como profissionais, ao mesmo tempo em que reafirmava suas responsabilidades perante a sociedade.
Hoje, quando muitos já completaram seu ciclo de atividades, como cidadãos e como profissionais, consideram que é o momento de resgatar esse papel do ‘Pedro Gomes’, preservá-lo, realçá-lo e reconhecer o trabalho daqueles que, cumprindo suas obrigações, concretizaram essa missão.
Jales Naves é jornalista e escritor, é membro da Associação Goiana de Imprensa e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás; estudou no Colégio Estadual Professor Pedro Gomes nos anos 1960.
