“Nas lendas da Lua, a divindade noturna da Terra, brilha a transformação
O segredo cósmico dos rituais de iniciação é encontrar nossa própria imagem refletida na natureza, mergulhar no insondável mistério das águas e, em morte simbólica, renascer de alma limpa nos reinos transpessoais
Arquétipos, imaginação e natureza em uníssono, na melodia animista preservada pelos primeiros habitantes de Pindorama
Lua e Terra unem seus ciclos nas águas calmas dos igarapés amazônicos onde a sabedoria dos povos originários é a vitória-régia da ecologia espiritual”
O texto “A Lua e a vitória-régia”, de Lari Mendes para o catálogo “Terra Plena – Astromitologias do Sul” (2023) integra a ideia de sincronicidade e misticismo que se fundem no emaranhado enigmático de crenças, valores, virtudes, transcendência e natureza.
A mitologia indígena conta que a índia Naia, apaixonada pela Lua, morre afogada ao tentar alcança-la através do reflexo na água. Comovida, a Lua a transforma na belíssima e imponente vitória-régia. Comumente encontrada nas regiões amazônicas, a espécie comunga uma relação mística muito parecida com a flor de lótus, nativa do sudeste asiático.
Ambas emergem do lodo, representando a capacidade do espírito de separar as impurezas mundanas para alcançar a beleza e a verdade. Há também uma peculiaridade especial, a de estarem unidas aos três elementos: a terra, a água e o ar.
No Yoga, Lótus é o nome de uma postura que imita a simetria e a perfeição estética da flor e tem a finalidade de alcançar um estado meditativo num exercício resiliente de flexibilidade física e mental através da permanência. Culturas distintas conectadas por similaridades biológicas da natureza, onde a mitologia indígena e a filosofia oriental se fundem em uníssono.
Sacrifício, entrega, silêncio, pausa, superação e elevação.
A espiritualidade e a natureza como uma melodia universal ilustrando, através da imagem destas flores régias, a transformação da consciência. Uma metáfora da ecologia espiritual entre povos originários, distanciados por um Oceano Atlântico de águas profundas, que se fazem aproximar pela semelhança do amor e redenção aos ciclos celestiais.
